FUNARJ seleciona “Os Mendigos e o Pato do Imperador” para programação do Teatro Laura Alvim
Por Redação 💬
Espetáculo que reúne elementos do teatro popular e de formas animadas fica em cartaz aos sábados e domingos de outubro
A FUNARJ selecionou “Os Mendigos e o Pato do Imperador” para integrar a programação do Teatro Laura Alvim, em Ipanema. De 3 a 25 de outubro, aos sábados e domingos, às 16 horas, o público poderá acompanhar uma montagem que recorre ao teatro popular, à comicidade e às formas animadas para tratar de poder, justiça e desigualdade. Com texto de Rodrigo Paouto e direção convidada de Andréa Cevidanes, o espetáculo combina máscaras, bonecos, sombras, transformação de objetos, acrobacias e canções.
A história acompanha quatro artistas mambembes que atravessam o mundo levando sua arte até chegarem ao Reino de Anarinacheirabufa. Com fome, encontram um pato e fazem dele sua refeição. Só depois descobrem que o animal pertencia ao imperador. Acusados pelo “crime”, recorrem ao que têm: transformam a própria vida e a arte em argumentos de defesa.
A partir desse conflito, os personagens conduzem o público por mitos e histórias da formação do teatro ocidental. A condição dos artistas diante da autoridade do imperador abre espaço para questões sobre quem julga, quem é julgado e como poder e condição social atravessam essa relação.
A autoclassificação indicativa é de 10 anos e, segundo seu autor, a essência da história é atemporal. “Infelizmente, a metáfora da condenação injusta por um ato mínimo reflete o modo como, ainda hoje, a justiça pode ser mais dura com os pobres e complacente com os poderosos”, afirma Rodrigo Paouto, dramaturgo paulista radicado no Espírito Santo.
Corpos, objetos, sons e gestos
A linguagem cênica é um dos eixos da montagem. Máscaras, bonecos, sombras e objetos são incorporados ao jogo dos atores e transformados ao longo do espetáculo. Acrobacias e canções também atravessam as cenas e ampliam a fisicalidade dos intérpretes e a relação com o público.
A construção tem referências na farsa, na commedia dell’arte, no circo-teatro e no teatro popular. A proposta é recorrer ao humor e à artesania teatral para abordar temas complexos sem abandonar a dimensão lúdica da história.
“Acrobacia, palhaçaria, música de charanga, gestual estereotipado e representações farsescas compõem a dramaturgia cênica. O teatro de animação também foi experimentado e utilizado como ferramenta de contação de histórias, em teatro de sombras, de objetos e de fantoches”, explica Andréa Cevidanes.
O encontro entre o cômico e o trágico também estrutura o espetáculo. A dramaturgia parte de uma comédia e caminha em direção a um desfecho trágico, usando o exagero e os personagens-tipo para expor contradições sociais.
“As relações de poder reveladas no conflito central e a resiliência das personagens protagonistas são apresentadas de modo a escalonar para a plateia um espelho social da relação ocidental que rege a sociedade moderna. Este fato e suas derivações são o ponto forte da dramaturgia”, afirma a diretora.
Da Funarte ao Laura Alvim
“Os Mendigos e o Pato do Imperador” foi selecionado pelo Programa Funarte Aberta e estreou em setembro de 2025, no Teatro Glauce Rocha, no Centro do Rio. A temporada teve boa recepção do público, foi prorrogada pela Funarte e chegou a 18 apresentações.
Desde então, Os Trágicos da Cidade mantêm o trabalho de pesquisa em torno da linguagem do espetáculo. O grupo realiza treinamentos corporais e teatrais no Centro de Artes Calouste Gulbenkian e integrantes da companhia participam, em 2026, de um laboratório dedicado às técnicas do teatro de formas animadas junto a Márcio Nascimento, no Sesc Tijuca.
A trupe nasceu a partir do encontro de artistas ligados à Faculdade de Teatro da Cesgranrio. Seu primeiro trabalho, “Ser ou Não Ser Hamlet”, surgiu de um exercício cênico sobre Shakespeare, dirigido por Flávia Lopes.
Em pouco mais de três anos, o grupo passou por palcos do Rio de Janeiro, Niterói, Teresópolis e Vitória (ES). Em 2022, se apresentou no Cristo Redentor durante uma homenagem ao Dia do Ator.
É com essa bagagem que a trupe chega agora a Ipanema. Levar “Os Mendigos e o Pato do Imperador” ao palco do Teatro Laura Alvim é, para o grupo, mais uma oportunidade de compartilhar com o público a diversidade da cena teatral independente da cidade do Rio de Janeiro.
Serviço
Os Mendigos e o Pato do Imperador
Quando: 3 a 25 de outubro, sábados e domingos
Horário: 16h
Onde: Teatro Laura Alvim
Endereço: Avenida Vieira Souto, 176, Ipanema, Rio de Janeiro (RJ)
Ingressos: R$ 30 (meia), à venda na bilheteria do teatro ou pela internet, disponíveis em linktr.ee/ostragicosdacidade
Duração: 60 minutos
Autoclassificação indicativa: 10 anos
Informações: ostragicosdacidade@gmail.com | @ostragicosdacidade
Ficha técnica
Direção convidada: Andréa Cevidanes
Texto: Rodrigo Paouto
Direção musical: Danniel Marinho
Direção de arte: Milena Paiva
Iluminação: Rubia Vieira
Elenco: André Caldas, Dani Saboia, Gustavo Guimarães, Milena Paiva, Ronaldo Camelo e Thiago Emanuel
Produção: Gustavo Guimarães e Thiago Emanuel
Maquiagem: Dani Saboia
Máscaras e bonecos: Milena Paiva
Assessoria de Imprensa: Márcia Almeida (Golden Comunicação)
Apoio: Casa de Cultura Laura Alvim; FUNARJ; SECEC-RJ; Governo do Estado do Rio de Janeiro; Centro Municipal de Artes Calouste Gulbenkian; SMC-RJ; Marar Estúdio de Criação; Tem Conteúdo & Produções Artísticas; Damiane Nachtigal Advocacia e Consultoria; Centro de Atividades Sociais e Artísticas (C.A.S.A.); Cia. Teatro Porão; Aqui tem crocheteira
Realização: Os Trágicos da Cidade


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