ChrisTal de Poesia: O SOM DA POESIA

  Por Chris Herrmann 💬

Foto + IArte, de Chris Herrmann


Música de fundo: "Pétalas de Veeh"
por Chris Herrmann (IArte com Suno)

O SOM DA POESIA

Um baixo de fundo.

Na vibração do meu canto

eu sinto que soul.

(Chris Herrmann)


Minha trajetória musical: entre composições, piano, harpa e parcerias

Nesta edição da coluna ChrisTal de Poesia, apresento um pouco da minha criação e da minha trajetória musical, reunindo composições e performances solo e em parceria: trabalhos instrumentais, executados por mim ao piano ou à harpa alemã Veeh (Veeh Harfe), canções tocadas e/ou cantadas com músicos parceiros, entre eles Byafra, Paulo Ciranda, Fred Vasconcelos (em memória) e outros amigos, além de algumas experiências mais recentes criadas com o auxílio da inteligência artificial.

Sobre a IA, não tenho preconceito quanto ao seu uso, desde que ela possa contribuir para trazer paz, saúde e beleza a um mundo cada vez mais carente dessa trindade.

Eu estudei Teoria Musical e Piano Clássico no Conservatório Brasileiro de Música, e podia dar aulas de piano como professora. Tive alguns alunos de piano, iniciantes, depois que terminei o curso, no início dos anos 80.

Caderno
de notas

nele fiz
pianos
de futuro

ainda hoje
eles me
tocam

Chris Herrmann

A composição mais antiga que tenho registrada em vídeo é “Em Busca do Paraíso”, ao piano. Compus essa música quando tinha 12 anos e ainda morava no Rio de Janeiro. O vídeo, porém, foi gravado muito tempo depois, em 2007, quando eu já vivia na Alemanha havia onze anos.

Aos 13 anos, compus duas músicas em parceria com um amigo, Roberto Oliveira Costa, para que pudéssemos participar do Festival de Música “Minhocão”, realizado no colégio de freiras onde eu estudava, na Tijuca, o Instituto Padre Leonardo Carrescia (IPLC). As músicas se chamavam “Voo Celeste” e “Viking III”.

Infelizmente, minha inscrição acabou sendo vetada por causa da minha idade. Minha irmã, que tinha 17 anos na época e também estudava no colégio, foi então quem se inscreveu. Como um bônus, ganhei o direito de participar da apresentação fazendo backing vocal. A cantora principal foi uma conhecida nossa, Luciane, que tinha uma bela voz e era muito afinada e que convidamos para interpretar as canções.

Também conseguimos mais dois amigos para completar o grupo: um ficou responsável pela bateria e outro pela percussão. Eu, naturalmente, fiquei ao piano. Assim, formamos uma pequena banda improvisada para apresentar nossas duas músicas no festival.

E veio uma das maiores alegrias daquela época: as duas composições ficaram entre as dez finalistas do festival. Foi uma grande honra para uma menina de apenas 13 anos que já sonhava com poesia e música.

Recebi uma medalha por esse feito, oferecida pelo Grêmio Recreativo dos Alunos do Colégio Carrescia (GRAC Carrescia), que organizava o festival. Como o grêmio vivia de doações e não contava com recursos próprios, infelizmente a medalha não traz o ano da premiação, que foi 1977 (risos).

Também para minha tristeza, naquela época ainda não existiam celulares e não ficamos com gravações dessas apresentações. Encontrei entre minhas antigas lembranças e arquivos, uma gravação posterior (de 2018) das duas músicas, que tinham letra e que continuo guardando com muito carinho na memória.

Mas a medalha original está comigo até hoje. E talvez seja justamente isso o mais bonito: algumas lembranças não precisam de gravação para continuar tocando.



VOO CELESTE - Chris Herrmann e Roberto Oliveira Costa
(encontrei essa gravação feita em 2018, na Alemanha, com minha voz ruim,
porque não sou cantora e nem alcanço agudos,
mas que já dá para vocês terem uma ideia da melodia)

VOO CELESTE

Corro ao vento brando,
a poeira como manto
na viagem de volta
à Terra...

Quero que você
me siga na viagem,
na cauda-miragem
dessa estrela,
dessa estrela lunar...

Na imensidão do céu,
aquele tal anel
de Saturno,
casamento noturno,
gosto de mel...

Busco o infinito,
de repente sai um grito
e ele vem de dentro
do coração...

Sinto tua mão
por perto,
perdido, brigo
e fico quieto
e acho
a tua paixão.

Uma lembrança especial e outras memórias musicais

Esse foi o mesmo festival em que ouvi Fátima Guedes cantar pela primeira vez. Ela morava perto da escola, na Rua Doutor Satamini, mas não estudava lá. Participou como convidada de alguém que era aluno(a) da escola e estava inscrito(a) no mesmo festival. Não me lembro se a música que ela apresentou ficou entre as dez primeiras colocadas, mas é bem provável que sim.

Ela já tinha uma voz linda e uma maneira muito própria de interpretar as canções. Era uma estrela que estava prestes a ser descoberta. Soube, posteriormente, que ela já havia vencido o Festival de Música da Faculdade Hélio Alonso - FACHA, em 1973, com a música "Passional" que havia composto aos 15 anos, apenas alguns anos antes de mim (risos).

Abaixo, compartilho os vídeos que ainda tenho de algumas das minhas composições e parcerias. Infelizmente, outras não existem mais em vídeo nem em arquivo de áudio. Muitas foram criadas na mesma época da minha primeira composição, quando eu tinha entre 11 e 12 anos, e naquela idade jamais poderia imaginar que, quase 50 anos depois, eu sentiria falta de ter esses registros.

Algumas das músicas que ainda permaneciam na memória pude gravar em vídeo muito tempo depois. O antigo caderno de notas musicais que eu tinha naquela época, porém, acabou se perdendo depois de tantas mudanças. Hoje, seria um verdadeiro tesouro para mim.

Lembro especialmente de uma melodia que compus ao piano. Nossa vizinha daquela época, que morava no apartamento ao lado e frequentava nossa casa, ouviu a música e a chamou de “Caixinha de Música”, porque achou a melodia muito delicada. Gostei tanto do nome que o adotei para a composição.

De tantas outras músicas, infelizmente, nem o nome consigo mais lembrar. Afinal, já se passaram quase cinco décadas.

Mas algumas melodias continuam guardadas em algum lugar da memória.

E talvez seja justamente por isso que, de vez em quando, ainda consigo encontrá-las.


´Em busca do Paraíso´ - Piano
(compus aos 12 anos - vídeo gravado anos depois, em 2007)


com poema em alemão em parceria com Alf007

Poema de Luiz Fernando Prôa, de 2007,
inspirado na mesma melodia de ´Em Busca do Paraíso´




Da parceria com o músico e maestro Claudio Mendes

"Poema do meu Rio" (Bossa-Nova)
🎵 Essa declaração de amor ao Rio é uma bossa nova criada
há quase duas décadas, 

Curiosidades: 

  • Em 2022, a música ‘Poema do meu Rio’ foi tema de estudo na Universidade de Olavid, em Sevilha, Espanha. Fez parte do programa “O Mundo da Língua Portuguesa” e “La la canta” da RadiOlavid, onde fui entrevistada pela querida Giselle Menezes Mendes Cintado, professora da Universidade. Ouça o programa completo do dia 24/2/2022, contendo a entrevista: https://tv.upo.es/media/t/0_4vgds078 (funciona melhor pelo computador) 🤍
  • A foto no início do clipe, minha com Claudio Mendes, é um recorte da nossa participação num lindo sarau que foi realizado no saudoso “Barteliê“ em Ipanema, no ano de 2006.
  • A amiga cantora Ilka Villardo quer gravar essa música! Vamos aguardar!




De algumas parcerias com o músico Paulo Ciranda

do poema ‘Calada da Noite‘

Na RadiOlavide e em aula da Universidade de Sevilha, Espanha,
a música “Calada da Noite” de Chris Herrmann e Paulo Ciranda,
e a entrevista com Chris Herrmann, que foi ao ar no dia 8/6/2021 às 13h,
do convite que recebi da professora Giselle Menezes Cintado.

do poema ‘Kurosawa Dreams‘

do poema ‘O Violeiro‘

do poema ‘O Milharal‘


do poema ‘Cara de Paus‘





´Pour Lothar´- Valsinha





De algumas das parcerias
com Paulo Ciranda e Jiddu Saldanha

do poema ‘teu beijo‘

Haicai, foto, piano





De algumas parcerias com
Byafra e Paulo Ciranda

do poema ´Diga-me´

do poema ‘O homem que não chora‘




Parcerias com Ronaldo Ferro & Xaxá
(Cabras de Baquirivu)
e Sandra Gomes

do poema ‘faca afiada‘

´Faca Afiada´ ao Vivo em minha homenagem
na Casa Amarela, São Paulo, 6/5/2018

do poema ‘o último jogo‘

do poema ‘floração‘




No meu trabalho de musicoterapia em grupo
junto a idosos com alzheimer, na alemanha 🤍




Um arranjo improvisado ao piano
de "Nuvem Passageira" (Hermes Aquino)
- gravado na Alemanha -





Tocando ´Prima Carezza´ de Crescenzo
- gravado na Alemanha -




E, para finalizar esta coluna com chave de ouro,
Noturno op 9 no 2, de Chopin, em homenagem ao meu pai,
que sempre parava tudo que estivesse fazendo, apenas para me ouvir tocá-la(Eu também toquei ´Noturno´, muito emocionada, no órgão da Igreja do bairro onde morávamos, na missa de 1 mês de sua partida, em 1982).
- aqui, um trechinho gravado em 2022, onde morei em Búzios -




Autorretrato
(Chris Herrmann)

De tanto
que me contorci
criei asas

De tanto
que me comovi
criei música

De tanto
que me reescrevi
deixei a vida
me tocar



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