Anna Beatriz Oliveira recebe o prêmio de Melhor Intérprete na Categoria Jovem da 47ª Ciranda de Poesias da Casa do Poeta do Rio de Janeiro
Por Redação 💬
Anna Beatriz de Olivera com o Troféu de Melhor Intérprete na Categoria Jovem | Foto: Divulgação
SENSIBILIDADE PREMIADA
Anna Beatriz recebe o prêmio de Melhor Intérprete na Categoria Jovem da 47ª Ciranda de Poesias da Casa do Poeta do Rio de Janeiro
Anna Beatriz Silva Oliveira tem 17 anos e escreve para dar corpo e voz à intensidade do sentir. Autodidata, encontrou na poesia, aos 13 anos, uma forma de traduzir aquilo que muitas vezes não cabia em palavras. Sem fórmulas prontas ou academicismos, construiu seu próprio caminho literário, moldando sua escrita a partir das vivências, das inquietações e do constante desejo de aperfeiçoamento.
Seu universo poético dialoga com diferentes formas de observar e questionar a existência, tendo como referências o olhar sensível de Clarice Lispector e a profundidade filosófica de Dostoiévski. Entre a delicadeza e a inquietação, busca construir uma voz própria, sem se prender a uma única forma de sentir, pensar ou escrever. Acredita na literatura como espaço de expressão, reflexão e questionamento.
No dia 24 de Outubro 2026, na Cidade das Artes Bibi Ferreira, na Barra da Tijuca, Anna Beatriz recebeu o prêmio de Melhor Intérprete na Categoria Jovem da 47ª ciranda de poesias RJ jovem - C.P.R.J.
Ela estuda no Colégio Estadual Parada Angélica, em Duque de Caxias, e a professora Andreia Varol, que ela considera sua referência, foi quem a orientou para participar do concurso.
Seguem os dois poemas autorais que ela interpretou durante o evento:
OS LOUCOS
Eu acredito que os loucos
são tão sábios quantos os sábios
que acham que são loucos
só por acharem que são mais do que os outros...
são tão sábios quantos os sábios
que acham que são loucos
só por acharem que são mais do que os outros...
Que loucura a minha pensar demais,
viver em um mundo que nada me satisfaz,
dormir e acordar sonhando cada vez mais,
me iludindo com um sonho
que não terei nunca mais (Ou jamais).
viver em um mundo que nada me satisfaz,
dormir e acordar sonhando cada vez mais,
me iludindo com um sonho
que não terei nunca mais (Ou jamais).
Faço de mim uma criança,
que entende demais
mesmo vivendo de menos,
trazendo consigo uma esperança
que nem todo mundo tem,
mas que vamos ser sinceros,
todos nós queremos!
que entende demais
mesmo vivendo de menos,
trazendo consigo uma esperança
que nem todo mundo tem,
mas que vamos ser sinceros,
todos nós queremos!
Em um mundo tão hostil,
eu ainda acredito em almas,
que através das janelas que são os olhos,
levam luz para onde vão sempre levando a calma.
eu ainda acredito em almas,
que através das janelas que são os olhos,
levam luz para onde vão sempre levando a calma.
Que perturbador é pensar e não falar,
é chorar e sorrir,
é sentir e reprimir,
é saber e não corrigir...
tudo oque eu queria mesmo era ser livre,
sem ser tanto, só para poder fugir.
é chorar e sorrir,
é sentir e reprimir,
é saber e não corrigir...
tudo oque eu queria mesmo era ser livre,
sem ser tanto, só para poder fugir.
Quando penso sem querer,
eu acabo me atrapalhando,
imaginando e sonhando,
no quanto eu teria ganhado,
se não tivesse nascido tão estranho...
eu acabo me atrapalhando,
imaginando e sonhando,
no quanto eu teria ganhado,
se não tivesse nascido tão estranho...
Não sei se realmente sou louca,
mais gosto de acreditar
que apenas penso demais para quem expressa de menos
ou que sonho de mais para quem tem tamanho de menos.
mais gosto de acreditar
que apenas penso demais para quem expressa de menos
ou que sonho de mais para quem tem tamanho de menos.
Ser assim é ser eu,
ser eu nem sempre foi assim,
talvez eu goste
por que me faz querer ir sempre até o fim...
ser eu nem sempre foi assim,
talvez eu goste
por que me faz querer ir sempre até o fim...
CRESCER
Viver é crescer enquanto o tempo passa,
É amadurecer enquanto a vida ensina.
Sem perceber, um dia criamos asas
E sobrevoamos terras que antes pareciam distantes demais.
Sem perceber, um dia criamos asas
E sobrevoamos terras que antes pareciam distantes demais.
Nunca pensei estar onde estou
Por isso agradeço,
Cresci sem perceber.
Sempre sonhei com esse voo tão alto...
Pena que, ao amanhecer,
às vezes eu esquecia de viver.
Por isso agradeço,
Cresci sem perceber.
Sempre sonhei com esse voo tão alto...
Pena que, ao amanhecer,
às vezes eu esquecia de viver.
Doeu muito...
E às escondidas chorei tantas vezes,
Achando que aquilo nunca iria passar
E que a dor seria eterna dentro de mim.
E às escondidas chorei tantas vezes,
Achando que aquilo nunca iria passar
E que a dor seria eterna dentro de mim.
Mas passou.
E eu aprendi a usar aquelas dores reais
Como abrigo para quem também sangrava.
Aprendi a acolher o outro
Porque um dia me encontrei,
naquela mesma melancolia.
Como abrigo para quem também sangrava.
Aprendi a acolher o outro
Porque um dia me encontrei,
naquela mesma melancolia.
Quando a vida toca um ritmo desconhecido,
Não há outra escolha além de dançar.
É nesse compasso estranho
Que crescemos antes do tempo,
Sem saber se queríamos crescer.
Não há outra escolha além de dançar.
É nesse compasso estranho
Que crescemos antes do tempo,
Sem saber se queríamos crescer.
E talvez seja essa a graça da vida:
Aprender a dançar o ritmo
Sem deixar que ele nos destrua.
Aprender a dançar o ritmo
Sem deixar que ele nos destrua.
É difícil crescer
Sem saber se um dia vamos florescer.
Mas é ainda mais difícil
Não tentar
E viver carregando o peso do arrependimento.
Sem saber se um dia vamos florescer.
Mas é ainda mais difícil
Não tentar
E viver carregando o peso do arrependimento.
Quase nunca olho para mim.
Mesmo assim, floresci sem perceber.
E foi crescendo
Que eu aprendi, finalmente,
A me pertencer.
Mesmo assim, floresci sem perceber.
E foi crescendo
Que eu aprendi, finalmente,
A me pertencer.



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