Rock Clássico Riffinado: ROLLING STONES - O BLUES QUE APRENDEU A ANDAR EM ALTA VELOCIDADE
Por Chris Herrmann 💬
Mais de seis décadas de música, rebeldia, amizade, conflitos e uma das histórias mais extraordinárias do rock.
QUANDO O BLUES ENCONTROU LONDRES
Antes de serem uma das maiores bandas da história, os Rolling Stones eram cinco jovens londrinos fascinados por uma música que ainda carregava, nos Estados Unidos, o peso de suas origens raciais e sociais: o blues. Mick Jagger e Keith Richards haviam sido amigos na infância, perderam contato quando suas famílias seguiram caminhos diferentes e voltaram a se encontrar em 1960, quando Richards percebeu que Jagger carregava consigo discos de blues e R&B. O encontro seria decisivo. Pouco depois, Brian Jones, guitarrista apaixonado pelo blues e pela música de raiz norte-americana, começou a reunir músicos para formar uma banda de rhythm and blues. Jagger e Richards acabariam se juntando ao projeto, formando o núcleo que daria origem aos Rolling Stones.
O primeiro concerto aconteceu em 12 de julho de 1962, no Marquee Club, em Londres. A formação ainda não era aquela que entraria para a história: Ian Stewart estava ao piano, Dick Taylor tocava baixo e Tony Chapman ocupava a bateria. A noite foi pequena, o público não era numeroso e ninguém poderia imaginar que aquela apresentação inauguraria uma trajetória que atravessaria gerações. O nome da banda vinha de "Rollin' Stone", canção de Muddy Waters, uma escolha que já deixava clara a direção musical daquele grupo.
Os Stones não queriam parecer comportados. Enquanto os Beatles começavam a construir uma imagem mais acessível e cuidadosamente trabalhada, os Rolling Stones cultivavam uma aparência mais desafiadora, alimentada pelo blues, pelo R&B e por uma atitude que parecia dizer que aqueles rapazes não estavam interessados em pedir licença. O empresário Andrew Loog Oldham percebeu imediatamente o potencial dessa imagem e ajudou a transformá-la em uma identidade artística. A estratégia funcionou. Em pouco tempo, os Stones deixaram de ser uma banda de clubes para se tornar um dos nomes centrais da chamada British Invasion.
SATISFACTION: QUANDO O MUNDO OUVIU OS STONES
A transformação aconteceu rapidamente. Depois de uma sequência de singles e do primeiro álbum, The Rolling Stones, lançado em 1964, a banda começou a encontrar uma voz própria. O repertório ainda era fortemente baseado em compositores de blues e R&B norte-americanos, mas Jagger e Richards começaram a desenvolver uma parceria de composição que se tornaria uma das mais importantes da música popular.
Em 1965, essa parceria produziu "(I Can't Get No) Satisfaction".
O riff de Keith Richards tornou-se imediatamente reconhecível, enquanto Mick Jagger transformou frustração, desejo e inquietação em uma letra que capturava o espírito de uma juventude que já não queria simplesmente aceitar o mundo como ele era. A música alcançou o primeiro lugar nos Estados Unidos e se tornou um dos maiores símbolos do rock. A própria Recording Academy reconhece "Satisfaction" como uma das gravações incorporadas ao GRAMMY Hall of Fame.
O mais importante, entretanto, estava acontecendo por baixo do sucesso comercial. Os Stones estavam deixando de ser apenas intérpretes de blues para se tornar compositores capazes de transformar a tradição que amavam em uma linguagem própria.
Essa transformação ficaria ainda mais evidente nos anos seguintes.
The Rolling Stones - (I Can't Get No) Satsfaction (Live) - OFFICIAL / No Brasil
BRIAN JONES E O PRIMEIRO ROSTO DOS STONES
Brian Jones foi fundamental para a criação da banda. Antes de Jagger e Richards assumirem a posição de centro criativo, foi Jones quem reuniu músicos, buscou espaços para tocar e ajudou a construir aquela primeira formação. Seu conhecimento de blues e sua habilidade com a guitarra slide impressionaram profundamente Richards e contribuíram para estabelecer a identidade musical inicial dos Stones.
Mas a mesma criatividade que fazia de Jones um músico fascinante também o tornava difícil de acompanhar. Conforme Jagger e Richards se consolidavam como compositores, Brian começou a perder espaço dentro da estrutura da banda. Seu interesse por instrumentos incomuns e diferentes sonoridades continuou aparecendo nos discos, mas sua influência interna diminuiu.
Ao mesmo tempo, seu consumo de drogas e álcool se intensificava, enquanto sua relação com os demais integrantes se deteriorava. Em 1969, Brian Jones deixou os Rolling Stones. Poucas semanas depois, em 3 de julho, foi encontrado morto na piscina de sua casa, em Sussex. Tinha apenas 27 anos.
Sua morte acrescentou uma camada trágica à história de uma banda que já começava a ser cercada por uma aura de perigo. Mas seria injusto lembrar Brian apenas pelo fim. Ele foi um dos fundadores dos Rolling Stones e um músico fundamental para que aquele grupo existisse.
A FASE EM QUE TUDO SE TRANSFORMOU
O final dos anos 1960 marcou uma transformação profunda. Com Mick Taylor entrando no lugar de Brian Jones, os Stones ganharam um guitarrista de extraordinária técnica e sensibilidade. Jagger e Richards assumiam cada vez mais o comando das composições, enquanto o produtor Jimmy Miller ajudava a moldar um dos períodos mais brilhantes da história da banda. Miller produziu cinco álbuns dos Stones entre 1968 e 1973 e participou diretamente da construção do som de obras fundamentais como Beggars Banquet, Let It Bleed, Sticky Fingers e Exile on Main St..
Em 1968 surgiu Beggars Banquet, um disco que marcou o retorno mais profundo às raízes do blues e do rock. "Sympathy for the Devil" abria o álbum com uma narrativa provocadora, enquanto "Street Fighting Man" capturava o clima de tensão política e social daquele período. "No Expectations" revelava uma faceta mais melancólica, mostrando que os Stones já dominavam tanto a força elétrica quanto a delicadeza acústica.
Um ano depois veio Let It Bleed, talvez um dos discos mais representativos daquela transição. "Gimme Shelter" tornou-se uma das gravações mais intensas da carreira da banda, com a participação vocal extraordinária de Merry Clayton. "You Can't Always Get What You Want" unia coral, instrumentos acústicos e uma construção épica, enquanto "Midnight Rambler" mergulhava novamente no blues.
Os Stones haviam encontrado um território próprio. Não precisavam mais escolher entre tradição e inovação. Podiam carregar o blues para dentro do rock sem perder sua essência.
STICKY FINGERS E A MARCA DOS STONES
Em 1971, Sticky Fingers consolidou essa nova fase. O álbum trouxe "Brown Sugar", "Wild Horses", "Can't You Hear Me Knocking", "Bitch" e "Dead Flowers", além de uma capa criada por Andy Warhol que se tornaria uma das imagens mais reconhecidas da história da música.
Foi também um momento importante na autonomia artística do grupo. O disco foi lançado pelo próprio selo dos Stones, Rolling Stones Records, depois do fim do contrato com a Decca, e apresentou pela primeira vez o famoso logotipo da língua e dos lábios, criado pelo designer John Pasche.
O símbolo se tornaria praticamente inseparável da identidade da banda. Mais do que um logotipo, virou uma imagem cultural.
EXILE ON MAIN ST.: O CAOS TRANSFORMADO EM MÚSICA
Se existe um álbum que resume a liberdade criativa e o excesso dos Rolling Stones nos anos 1970, é Exile on Main St., de 1972.
Gravado em grande parte no sul da França, em circunstâncias pouco convencionais, o álbum duplo parece nascer de um ambiente em que blues, country, gospel, soul, rock e improvisação convivem sem precisar obedecer a fronteiras rígidas. "Rocks Off", "Tumbling Dice", "Sweet Virginia", "Happy", "Shine a Light" e "Let It Loose" mostram uma banda completamente confortável dentro de sua própria linguagem.
Keith Richards assumiu papel central durante as gravações, enquanto Jagger ampliava ainda mais sua capacidade vocal. O resultado foi inicialmente recebido de maneira desigual, mas acabou sendo reconhecido como uma das grandes obras da história do rock.
Hoje, Exile on Main St. aparece regularmente entre os maiores álbuns de todos os tempos.
E não por acaso. É um disco que parece vivo.
KEITH RICHARDS E MICK JAGGER: A PARCERIA MAIS RESISTENTE DO ROCK
Poucas relações criativas foram tão importantes para a música popular quanto a de Mick Jagger e Keith Richards. A parceria entre os dois produziu uma quantidade impressionante de canções e atravessou períodos de enorme proximidade e conflitos intensos.
Jagger sempre demonstrou uma preocupação maior com performance, imagem, negócios e direção artística. Richards permaneceu mais profundamente ligado à guitarra, ao blues e à espontaneidade da música. As diferenças poderiam ter destruído a parceria, mas acabaram criando uma espécie de tensão produtiva.
Juntos, escreveram algumas das canções mais importantes da história do rock.
"(I Can't Get No) Satisfaction".
"Jumpin' Jack Flash".
"Paint It, Black".
"Sympathy for the Devil".
"Gimme Shelter".
"Brown Sugar".
"Wild Horses".
"Start Me Up".
"Miss You".
"Beast of Burden".
O catálogo fala por si. E talvez a melhor prova da força dessa parceria seja sua capacidade de sobreviver a tudo o que aconteceu ao redor dela.
The Rolling Stones - Sympathy For The Devil (Official Video)
The Rolling Stones - Start Me Up - Official Promo
RONNIE WOOD E A NOVA FORMAÇÃO
Depois da saída de Mick Taylor, em 1974, os Stones passaram por uma nova transformação. Em 1975, Ronnie Wood entrou oficialmente para a banda, depois de já ter construído uma carreira respeitada com The Jeff Beck Group e Faces.
A chegada de Wood resolveu uma questão importante: os Stones precisavam novamente de uma segunda guitarra capaz de dialogar diretamente com Richards. A combinação dos dois criou um estilo conhecido informalmente como "guitar weaving", no qual as guitarras não ficam rigidamente separadas entre base e solo, mas se entrelaçam de maneira orgânica.
A nova formação entrou em uma fase diferente, marcada por Black and Blue, Some Girls, Emotional Rescue e Tattoo You.
E então os Stones voltaram a surpreender.
SOME GIRLS E A CAPACIDADE DE SOBREVIVER À MUDANÇA
Lançado em 1978, Some Girls encontrou os Rolling Stones em diálogo com um mundo musical que havia mudado profundamente. O punk havia explodido, a disco dominava as pistas e novas gerações começavam a questionar os gigantes da década anterior.
Os Stones responderam com um álbum que absorveu essas transformações sem abandonar suas raízes.
"Miss You" incorporava elementos da disco music. "Respectable" tinha energia punk. "Beast of Burden" recuperava a sensualidade bluesy característica da banda. "Shattered" capturava a velocidade e a ironia da Nova York daquele período.
O resultado foi um dos maiores sucessos comerciais da carreira dos Stones e demonstrou que eles ainda conseguiam dialogar com seu tempo sem deixar de ser quem eram. O álbum recebeu uma indicação ao Grammy de Álbum do Ano e permanece entre as obras mais celebradas da banda.
CHARLIE WATTS: A ELEGÂNCIA POR TRÁS DO RITMO
Seria impossível contar a história dos Rolling Stones sem dedicar atenção especial a Charlie Watts.
Enquanto Jagger ocupava o centro do palco e Richards construía riffs que entravam imediatamente para a memória coletiva, Watts permanecia quase sempre concentrado atrás da bateria. Sua postura discreta contrastava com o comportamento mais extravagante de outros integrantes, mas musicalmente sua importância era gigantesca.
Watts não tocava para chamar atenção. Tocava para fazer a música respirar.
Seu estilo tinha forte influência do jazz, especialmente de bateristas como Charlie Parker e Thelonious Monk, e essa formação ajudou a criar uma característica essencial dos Stones: o groove.
A morte de Watts, em agosto de 2021, aos 80 anos, encerrou uma das mais longas presenças contínuas na história do grupo. Para os Stones, não era simplesmente a perda de um baterista. Era a ausência de alguém que havia ajudado a construir a identidade rítmica da banda desde 1963.
Steve Jordan assumiu a bateria nas atividades posteriores do grupo, mas Charlie permaneceu como parte inseparável da história dos Stones.
O ROCK NÃO TERMINOU NOS ANOS 1970
Uma das características mais impressionantes dos Rolling Stones é justamente a capacidade de continuar trabalhando depois que tantas outras bandas de sua geração já haviam encerrado suas atividades.
Tattoo You, lançado em 1981, reuniu gravações realizadas em diferentes períodos e produziu outro grande sucesso mundial com "Start Me Up". O álbum também mostrou que a banda ainda possuía material de enorme força.
Vieram depois Undercover, Dirty Work, Steel Wheels, Voodoo Lounge, Bridges to Babylon, A Bigger Bang e outros trabalhos que mantiveram os Stones em atividade enquanto sua importância histórica aumentava.
A longevidade, entretanto, nunca foi apenas uma questão de sobrevivência comercial.
Os Stones continuaram fazendo turnês monumentais, adaptando seus espetáculos às novas tecnologias e mantendo uma capacidade rara de transformar estádios gigantescos em extensões do palco.
HACKNEY DIAMONDS: A BANDA RECUSA A APOSENTADORIA
Em 2023, os Rolling Stones fizeram algo que muitos já não esperavam: lançaram um álbum de inéditas.
Hackney Diamonds foi o primeiro disco de material original da banda em 18 anos e também o primeiro após a morte de Charlie Watts. Mick Jagger, Keith Richards e Ronnie Wood voltaram ao estúdio acompanhados por convidados como Paul McCartney, Ringo Starr, Elton John, Lady Gaga e Stevie Wonder.
O álbum não tentou fingir que os Stones ainda eram os mesmos jovens de 1965. E isso foi justamente uma de suas qualidades.
"Angry", "Sweet Sounds of Heaven" e "Depending on You" mostram uma banda consciente de sua própria história, mas ainda interessada em criar música nova. O disco foi recebido com entusiasmo e conquistou o Grammy de Melhor Álbum de Rock em 2025, dando aos Stones mais uma grande distinção em uma carreira que já acumula quatro vitórias no Grammy e 13 indicações.
A turnê Hackney Diamonds, realizada em 2024 pela América do Norte, levou o novo repertório ao lado de clássicos que continuam fazendo parte do imaginário coletivo. Jagger, Richards e Wood demonstraram mais uma vez uma energia de palco que continua impressionante décadas depois do primeiro concerto.
PRÊMIOS E HONRARIAS
Os Rolling Stones foram introduzidos no Rock & Roll Hall of Fame em 1989, reconhecimento que consolidou oficialmente sua posição entre os nomes fundamentais da história do gênero. A instituição destaca sua capacidade de combinar blues e R&B com country, psicodelia, garage rock, punk e disco ao longo de mais de seis décadas.
Em 1986, receberam o Grammy Lifetime Achievement Award. Ao longo dos anos, também acumularam Grammys competitivos por trabalhos como Voodoo Lounge e Blue & Lonesome, além do prêmio de Melhor Álbum de Rock por Hackney Diamonds em 2025.
Diversas gravações dos Stones também foram incorporadas ao GRAMMY Hall of Fame, incluindo "Satisfaction", Beggars Banquet, Let It Bleed, Sticky Fingers, Exile on Main St., "Honky Tonk Women" e "Paint It, Black".
Mais importante do que qualquer lista de prêmios, porém, é a influência que a banda exerceu sobre gerações de músicos. Aerosmith, Guns N' Roses, The White Stripes, Joan Jett, Patti Smith e inúmeros outros artistas reconheceram, direta ou indiretamente, a importância dos Stones em suas próprias trajetórias.
CURIOSIDADES
O nome Rolling Stones nasceu da ligação de Brian Jones com o blues de Muddy Waters e sua canção "Rollin' Stone". A primeira apresentação pública aconteceu em 12 de julho de 1962, no Marquee Club, em Londres.
Ian Stewart foi um dos fundadores e músicos essenciais da primeira formação, mas Andrew Loog Oldham decidiu que ele não apareceria oficialmente como integrante da banda, mantendo-o principalmente como pianista e uma espécie de figura de bastidor. Stewart continuou profundamente ligado aos Stones durante toda a sua vida.
A famosa língua dos Rolling Stones foi criada em 1970 pelo designer John Pasche. O símbolo acabou se tornando uma das marcas visuais mais reconhecíveis da cultura popular.
Keith Richards escreveu o riff de "Satisfaction" durante a madrugada, segundo o próprio músico, e gravou a ideia em um pequeno aparelho antes de voltar a dormir. Quando acordou, encontrou a gravação e descobriu que havia registrado a ideia que se transformaria em um dos riffs mais famosos do rock.
"Paint It, Black", lançada em 1966, tornou-se particularmente marcante pelo uso do sitar por Brian Jones, demonstrando a abertura dos Stones para incorporar instrumentos e sonoridades pouco convencionais ao rock.
A participação de Merry Clayton em "Gimme Shelter" é uma das colaborações vocais mais memoráveis da história do grupo. Sua interpretação transformou a música em algo ainda mais dramático e intenso.
Durante a gravação de "Honky Tonk Women", Jimmy Miller, produtor dos Stones, acabou tocando a famosa cowbell da música. O detalhe se tornou uma das pequenas assinaturas sonoras daquela gravação.
E existe uma curiosidade que talvez diga muito sobre os Stones: em mais de seis décadas, a formação mudou, os estilos musicais mudaram, a tecnologia mudou, o público mudou e o mundo inteiro mudou, mas Mick Jagger, Keith Richards e Ronnie Wood continuam encontrando maneiras de colocar aquela velha linguagem do blues em movimento.
The Rolling Stones - Angie - OFFICIAL PROMO
A PEDRA CONTINUA ROLANDO
Os Rolling Stones começaram em pequenos clubes londrinos tocando músicas que haviam nascido do blues norte-americano. Mais de seis décadas depois, continuam ocupando palcos gigantescos diante de públicos que atravessam gerações. Essa trajetória não pode ser explicada apenas pela longevidade. Outras bandas também duraram muito. O que torna os Stones diferentes é a capacidade de permanecerem reconhecíveis sem se tornarem prisioneiros do próprio passado.
O segredo está justamente na tensão entre permanência e mudança. Jagger continua sendo um dos grandes performers da história do rock, mas sua maneira de ocupar o palco evoluiu com o tempo. Richards continua construindo riffs com aquela economia característica, mas sua guitarra carrega agora décadas de experiência. Ronnie Wood encontrou seu lugar entre os dois e ajudou a manter viva a conversa entre as guitarras. Charlie Watts partiu, mas sua maneira de tocar permanece gravada no DNA da banda.
E talvez seja essa a imagem mais bonita para encerrar a história dos Rolling Stones: não a de uma banda congelada em fotografias dos anos 1960, mas a de músicos que envelheceram, perderam amigos, atravessaram crises, sobreviveram a mudanças culturais gigantescas e ainda encontram prazer em subir ao palco.
Os Stones não precisaram permanecer jovens para continuar sendo jovens no espírito. Eles simplesmente continuaram tocando.
E enquanto existir alguém disposto a colocar uma guitarra para soar, procurar um velho blues, bater o pé no ritmo de Charlie Watts ou tentar descobrir como Keith Richards construiu determinado riff, aquela pedra continuará rolando. Não porque o tempo tenha parado. Mas porque os Rolling Stones aprenderam a tocar com o tempo. 🎸
Fontes
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Coluna de Chris Herrmann


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