Geni Núñez leva à Casa Museu Eva Klabin, neste sábado, palestra gratuita inspirada no pensamento de Ailton Krenak
Por Chris Herrmann 💬
A Casa Museu Eva Klabin recebe, neste sábado, 15 de agosto, às 16h, a escritora, ativista e pensadora indígena Geni Núñez para a palestra gratuita “Reflorestamento do imaginário”. Autora de “Descolonizando afetos: experimentações sobre outras formas de amar” e “Felizes por enquanto”, Geni apresenta uma reflexão em diálogo com a ideia de “monoculturas do pensamento”, elaborada por Ailton Krenak, aproximando a monocultura da terra, a monogamia nas relações afetivas e sexuais e o monoteísmo para pensar outras formas de imaginar a existência. Os ingressos serão distribuídos uma hora antes do início do evento, pela equipe da Casa Museu.
A atividade integra a programação de ativações da exposição “Nossa América”, em cartaz até 6 de setembro, e também compõe as celebrações pelos 31 anos da Casa Museu Eva Klabin. Com curadoria de Camilla Rocha Campos e Claudia Jaguaribe, a mostra parte do acervo de arte andina da instituição para propor um olhar sobre produções visuais latino-americanas que atravessam objetos, vegetações, animais, espíritos e paisagens do continente ao longo de séculos. Em vez de tratar imagens, cerâmicas, grafismos e símbolos como vestígios de um passado distante, a exposição os apresenta como presenças ativas, capazes de construir leituras sobre história, território e relações entre humanos, natureza e espiritualidade.
Ativista indígena Guarani, escritora, psicóloga e influente pensadora das relações, Geni Núñez trabalha com questões étnico-raciais brasileiras, com destaque para os debates indígenas. Em “Reflorestamento do imaginário”, ela retoma reflexões desenvolvidas em sua trajetória acadêmica e intelectual para questionar a lógica da monocultura, compreendida como antagônica à floresta. A floresta, nesse contexto, aparece como imagem de abundância e diversidade, capaz de acolher diferentes formas de existência.
Baseada no ensaio “Diante dos negacionismos”, publicado pela autora em 2021 na revista “ClimaCom”, a discussão também aborda os binarismos e propõe uma leitura crítica sobre modos únicos de organizar o pensamento, os afetos e a vida. Mestre em Psicologia Social, doutora pelo Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC e pós-doutora pelo Instituto de Estudos Avançados da USP, Geni foi membro da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia e integra a Articulação Brasileira de Indígenas Psicólogos/as.
A programação de agosto também marca as celebrações pelos 31 anos da Casa Museu Eva Klabin. No dia 22, a partir das 14h, o público poderá participar de uma tarde de atividades gratuitas, com distribuição de pipoca na entrada da Casa, oficina de origami, oficina experimental de grafismos inspirada nas tradições ancestrais dos povos originários do Brasil e fala da curadoria no auditório. A programação se encerra com um coquetel às 19h.
Orientada pela noção de temporalidade ch’ixi, formulada pela socióloga boliviana Silvia Rivera Cusicanqui, a exposição “Nossa América” propõe uma experiência em que o ancestral e o contemporâneo não se sucedem, mas coexistem em tensão. As palestras dão continuidade a essa investigação, aproximando pensamento indígena, memória material, território e criação contemporânea em encontros que expandem as leituras possíveis da mostra.
Serviço
Palestra “Reflorestamento do imaginário”, com Geni Núñez
Data: 15 de agosto, sábado
Horário: 16h
Local: Casa Museu Eva Klabin - Av. Epitácio Pessoa, 2.480, Lagoa, Rio de Janeiro
Entrada: gratuita, com distribuição de ingressos uma hora antes do início do evento pela equipe da Casa Museu Eva Klabin
Celebração dos 31 anos da Casa Museu Eva Klabin
Data: 22 de agosto, sábado
Local: Casa Museu Eva Klabin - Av. Epitácio Pessoa, 2.480, Lagoa, Rio de Janeiro
Entrada: gratuita
Programação:
14h às 17h: Pipoca na entrada da Casa
14h30: Oficina de origami
15h30: Oficina experimental de grafismos
17h: Fala da curadoria, no auditório
19h: Coquetel
Sobre a Casa Museu Eva Klabin:
Uma das primeiras residências da Lagoa Rodrigo de Freitas, a Casa Museu Eva Klabin reúne mais de duas mil obras que cobrem um arco de tempo de cinco mil anos, desde o Antigo Egito (3000 a.C.) ao impressionismo, passando pelas mais diferentes civilizações. A coleção abrange pinturas, esculturas, mobiliário e objetos de arte decorativa e está em exposição permanente e aberta ao público na residência em que a colecionadora viveu por mais de 30 anos. A Casa oferece programação cultural variada, que inclui, além das visitas ao acervo, exposições temporárias de artistas contemporâneos, oficinas, cursos e conferências para adultos e crianças. Enquanto referência no calendário cultural do Rio de Janeiro, a programação musical conta com a série Concertos de Eva, com os Concertinhos de Eva, dedicados ao público infantil, e com o programa Pôr do Sol, shows da nova MPB no jardim. A Casa Museu se mantém no ano de 2026 como espaço de troca de ideias e aprendizados no presente, mantendo um diálogo constante com o passado e encontrando sua originalidade na combinação entre o clássico e o contemporâneo.
Editora-chefe e Colunista
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