27 Nov 2009

CONTRIBUIÇÕES DA JUVENTUDE PARA O DEBATE SOBRE DROGAS




"Eu sou a rosa-dos-ventos da minha sombra."

[Chris Herrmann]




Blauer Schmetterling

Flügelt ein kleiner blauer
Falter vom Wind geweht,
Ein perlmutterner Schauer,
Glitzert, flimmert, vergeht.
So mit Augenblicksblinken,
So im Vorüberwehn
Sah ich das Glück mir winken,
Glitzern, flimmern, vergehn.

Hermann Hesse

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20 Nov 2009

VOOS DE BORBOLETA



Publicado no Jornal da Cidade


Poços de Caldas, MG
16 de Outubro de 2009




Coluna: Comunicar-te


LIVRO


Por Hugo Pontes*

(foto: Edith Janete Schaefer)


Voos de Borboleta, Chris Herrmann,


Ed. Protexto, Curitiba-PR, 2009


Haicai é uma forma poética de origem japonesa, cujos versos valorizam a concisão e a objetividade. Os poemas são estruturados em três linhas, contendo na primeira e na última cinco e na segunda sete letras japonesas. O poeta mais importante que cultivou essa forma foi Matsuô Bashô (1644-1694), o qual dedicou a fazer desse tipo de poesia uma prática voltada para o lado espiritual.

No Brasil o primeiro poeta a desenvolver e divulgar o haicai foi Guilherme de Almeida, que não só o dotou de estrutura métrica rígida, mas também de rimas e título. No esquema proposto por Almeida, o primeiro verso rima com o terceiro e o segundo verso possui uma rima interna (a segunda rima com a sétima sílaba). Uma outra corrente do haikai brasileiro é a tradicionalista. Promovida inicialmente por imigrantes ou descendentes de imigrantes japoneses, como Hidekazu Masuda, de nome literário Goga, e Teruko Oda, essa corrente define o o haicai como um poema de três versos, em linguagem simples, sem rima, que somam dezessete sílabas poéticas (cinco sílabas no primeiro verso, sete no segundo e cinco no terceiro). Além disso, o haicai tradicional deve conter sempre uma referência à estação do ano, expressa por uma palavra: o chamado kigo = palavra de estação. O kigo é a celebração da unidade morte-vida, enquanto o haicai é o registro desse acontecimento.

Uma terceira forma de se praticar o haicai no Brasil é a que não se importa com a métrica nem o uso sistemático de uma referência à estação do ano em que o poema foi composto. Os principais nomes dessa corrente são Alice Ruiz, Millôr Fernandes e Paulo Leminski.

De difícil elaboração, o haicai traz em seu contexto mensagens de rara beleza e conteúdo, revelando a sensibilidade dos poetas na busca da essência da natureza, no íntimo de todas as coisas de modo simples, sutil e artística. Seus versos e estrofe curtos estão relacionados com a busca da unidade de uma forma compacta.

Com essa introdução didática quero situar a obra sobre a qual faço o comentário, uma vez que busco situar no conceito do haicai os poemas de Chris Herrmann, autora deste livro.

Chris nasceu no Rio de Janeiro e vive, atualmente, na Alemanha. É uma poeta voltada para temas que envolvem a vida, a natureza, o meio-ambiente e a beleza do ser humano, enquanto sentimento e conduta. Utiliza em seus versos as palavras com rara precisão, como deve acontecer no haicai, além de empregar uma linguagem que dá margem ao duplo sentido. Em relação ao conteúdo é mestra em alternar razão e sentimento.

A poeta selecionou, com rara sensibilidade e inteligência, os poemas para o seu Voos de Borboleta e dividiu o livro em sete partes contendo poemas cuja temática justifica cada um dos títulos: Rasantes, Nas Alturas, No Espelho, Urbanos, Haigatos, Polinizadores e Germanizantes. Tudo compondo um concerto sobre a essência da vida.


* O Autor é escritor, jornalista e professor. A sua Caixa Postal é 922, CEP 37701-970, Poços de Caldas (MG). O seu e-mail é hugopontes@pocos-net.com.br

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O Poeta e Artista Visual Leo Lobos

Chris Herrmann




(foto por Maria Eugenia Lagunas)

Além de um grande amigo, um artista sem igual. Leonardo Andrés Lobos Lagos (Santiago do Chile, 1966) poeta, ensaísta, tradutor e artista visual. Possui as seguintes publicações: Cartas de más abajo (1992) editado pela Faculdade de Artes da Universidade do Chile e Arrayán editores, + poesía (1995) súper yo editores, ángeles eléctricos (1997) Luis Saldias editorial, Camino a Copa de Oro (1998) edições Pazific Zunami, Perdidos en La Habana y otros poemas (1999), Cielos (2000), Nueva York en un poeta (2001), a seleção antológica Turbosílabas (2003) pela editora gato de papel que reúne seus poemas de 1986 a 2003, Devagar (2004), Un sin nombre (2005), Nieve (2006), Vía regia (2007) e No permitas que el paisaje este triste (2007).

Como co-editor, junto com o artista visual Rafael Insunza, publicou o livro em homenagem ao poeta chileno Pablo Neruda: Diez máskaras y un kapitán el año 1998, uma homenagem ao poeta universal dos artistas visuais Rafael Insunza, Jorge Cerezo, Rafael Gumucio, Sergio Amira y Claudio Correa com o patrocínio da Fundação Pablo Neruda e da Universidade do Chile, editora Pazific Zunami.

Participa com seus poemas, ensaios, ilustrações, fotografías e traduções dos meios culturais no Chile e em outros países, tem sido traduzido ao inglês, português, holandês, francês e alemão.

Vem realizando inúmeras exposições individuais e coletivas; suas pinturas, ilustrações, poemas visuais e desenhos fazem parte de coleções privadas na França, Brasil, México, Estados Unidos e Chile.

Leo Lobos foi agraciado com a bolsa UNESCO-Aschberg de literatura em 2002 e fez residência criativa no Centre de Arte de Marnay Art Center CAMAC na cidade de Marnay-sur-Seine, França entre 2002-2003.

Blog: http://leolobos.blogspot.com



Seleção de 5 Poemas de Leo Lobos (no original em espanhol)



"Soy sirio. ¿Qué te asombra, extranjero, si el

mundo es la patria en que vivimos todos, paridos por el caos?"


Meleagro de Gádara, 100 antes de Cristo.



Jazz on the park


Leemos el diario en el Jazz on the Park ( Jazz on the Park es el hotel donde nos hemos mudado), me siento encerrado.

Nos han invitado al concierto de Peter Salett, y es sin duda una buena idea para salir de aquí al paso del estado en el que nos encontramos. Un taxi móvil nos lleva al Club que está prácticamente copado, entramos sin dificultad con la ayuda de los ángeles custodios en medio de luces fotográficas cegadoras, tomamos bebidas blancas, escuchamos con atención mientras hermosas mujeres rubias son

mecidas por la música.


New York, Estados Unidos, 1999.



Tres mujeres, un piano, un gato y una tormenta


A Alexandra Keim


Es difícil ser un pájaro

y volar contra la tormenta sobre la cicatriz de la Tierra que deja el camino de asfalto

mejor es como un gato estar

siempre atento a las brasas

cerca de la chimenea

y escuchar

siempre atento escuchar

a tres lenguas diferentes hablar

un idioma a la vez fascinante

a la vez misterioso y conocido

oír e ir en su música

en sus luces y propias

y universales sombras

fotografiar

por tan solo un segundo

fotografiar con la mirada sus perfiles

de ser posible

flotar

dentro

de la sala

como

un pájaro

en

la

tormenta


Marnay-sur-Seine, Francia, 2002.



Silencioso dentro de la noche


“Ser como o rio que deflui

silencioso dentro da noite”


Manuel Bandeira



Fluir, leve andar

descalzo inflar lentamente los pulmones

pesar cada paso sentir

cada instante entrar

silencioso dentro

de la noche

como sí ella

fueras


Marnay-sur-Seine, Francia, 2002.



Una secreta forma


"las palabras como el río en la arena

se entierran en la arena"


Roberto Matta



el automóvil esta poseído por la fuerza

de los animales que le habitan

como un carruaje tirado por caballos

sobre piedras húmedas de un pasado verano

Río de Janeiro aparece de repente como

la secreta forma que el Atlántico

deja entrever desde sus colinas de azúcar:

ballenas a la distancia algo

comunican a nuestra humanidad sorda

y cegadas por el sol preparan su próximo vuelo

caen ellas entonces una vez más como

lo han hecho desde hace siglos

caen ellas en las profundidades entonces

caen ellas y crecen en su liquido amniótico.


São Paulo, Brasil, 2004.



Perdidos en La Habana


Se puede ver a lo largo de Cuba verdes

o rojos o amarillos descascarándose con el

agua y el sol, verdaderos paisajes de estos

tiempos de guerra


Después de tres botellas de ron

ella lloraba en el lobby

del Hotel Capri, mientras le leía poemas que no eran míos,


Hablaba de las playas a las que llegó

en motocicleta, cuando aún el sol brillaba

los cubanos son niños que lo miran todo decía


Otro él, aparece desde el centro del salón y necesito

más de un segundo para

reconocerle

me acerco y me cuenta de mujeres, palacios de salsa,

de bailes mágicos

no hay, pienso

no existe una isla

sin orillas...

No quiero habanos

no tengo dólares

mejor será

desaparecer antes que la noche


El Vedado, La Habana, Cuba, 1995.



19 Nov 2009

Haikai

Pequeno Zumbi.
Olhos negros marejados
acompanham a missa.

Chris Herrmann


arte digital: chris herrmann - 2009


Livros empilhados.
O catador de papel
não sabia ler.

Livros apilados.
El catador de papel
no sabia leer.*

Chris Herrmann

[* tradução para o espanhol por Leo Lobos]
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16 Nov 2009

Haicai

foto: elperiodicodemexico.com


Flores sobre a pedra.
Destroços de vinte anos
ainda machucam.


Chris Herrmann

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8 Nov 2009

Chega de Hipocrisia!

Participe da Passeata quem for do Rio e tiver chance, pois é por uma causa muito importante. As drogas destróem famílias e já está na hora das autoridades brasileiras abrirem os olhos de vez para o problema e ter os pés no chão, realmente agir. Não é possível que ainda tenha que haver tanto sofrimento para se fazer algo.

Qualquer movimento contra as drogas e a favor de regras de prevenção e saúde, não é algo pessoal, é legítimo porque envolve toda a sociedade que quer se livrar do fantasma da devastação que as drogas podem causar.

Este movimento conta com apoios diversos e divulgações que incluem:
Movimento Poetas del Mundo, Blog do Poeta Affonso Romano de Sant’anna, Amiga FM 105,9, CadaMinuto.com.br, Blog do Coronel de Polícia Paulo Ricardo Paúl, Revista Zap, Grupo Gaia Brasil, Comissão de Direitos Humanos da OAB, Portal Chris Herrmann, Blog "O Ícaro e a Borboleta", Comunidade "Café Filosófico das Quatro", Jornal do CF4, O Rebate (Coluna da Soninha Porto), Grupo Pró-Prôa, Pró-Vida: Não às Drogas Lícitas e Ilícitas (criado no Ning por Soninha Porto), etc..


Chris Herrmann





Domingo

Dia 8 de novembro
Caminhada em direção ao Leme
Concentração a partir das 14 horas
No Posto 6, em Copacabana
Em frente ao posto de salva-vidas

- Pela internação compulsória dos usuários de drogas pesadas, legais ou ilegais, que já perderam todos os limites. Criação de unidades terapêuticas humanas e modernas para recebê-los, com acompanhamento especializado que realmente os reabilite. E seguindo critérios de análise, caso a caso, para que não haja abuso deste poder;


- Pelo fim de toda propaganda de bebidas alcoólicas, em qualquer meio. Colocação de advertências educativas nos rótulos dessas bebidas, sobre os prejuízos que podem causar à saúde, como se faz nos maços de cigarros. Abertura de discussão sobre o aumento da idade permitida para o consumo destas bebidas para 21 anos, como já acontece em outros países, e com fiscalização eficiente.


- Pela alteração das normas que regulam os planos de saúde, para que os doentes mentais e viciados em drogas pesadas possam se tratar, sem limite de tempo.


- Por um amplo debate nacional sobre a política de drogas em nosso país, sem hipocrisia e com os pés no chão, para que se equacione esta questão e vítimas diárias deixem de ser produzidas, enlutando famílias por todo Brasil.


Ou a sociedade avança e discute seriamente seus problemas ou não seremos uma sociedade, mas sim milhões de individualidades, uma nação egoísta.
Chega de Hipocrisia!
Este é Nosso Grito!


peço que Divulguem por favor!


Obrigado!
Luiz Fernando Prôa

5 Nov 2009

4 Nov 2009

Haicai

Dedicado ao amigo Haijin José Marins:

Para quê lanternas?.
Haijin* contemplando a lua
vê até a sombra.

(* Haijin significa „poeta de haicai“ em japonês)

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