17 Jul 2018

Borboleta - a menina que lia poesia, resenha crítica por Leila Míccolis






ARES, MARES E ROCHEDOS

 por Leila Míccolis



“Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses”.

Rubem Alves


Não é de hoje que a autora é fascinada por borboletas: em 2009 tive o prazer de prefaciar o livro de Chris Herrmann intitulado Voos de Borboleta – haicais leves, como um bater de asas; no entanto, o adejo deste inseto colorido em Borboleta – a menina que lia poesia é completamente outro: pertence a alguém que, presa em um casulo fatal, vive extraindo do mundo das leituras a sua força, coragem e determinação diárias.



Por não conter diálogos, a leitura deste livro podia tornar-se cansativa, logo nas primeiras páginas. Porém, com delicadeza e sensibilidade, a autora consegue nos prender até o final, e acompanhamos com grande interesse o crescimento interior de Maria Rosa, uma jovem que vai da mudez à fala, do isolamento à plena interação com as outras meninas-moças internadas no mesmo local hospitalar que ela, capaz de viver cada dia como se fosse o primeiro e o último de sua existência e de celebrar a vida da forma mais intensa possível dentro das circunstâncias limitadoras de seu precário estado de saúde. Maria Rosa nos lembra, a todo instante, o inestimável valor da poesia, dos livros, da solidariedade, da beleza, do diálogo, da amizade e do amor, sutilmente enfatizando a ideia de que, em nossa travessia, o mais importante é a própria caminhada, o modo como a percorremos.

 


Um romance que se transforma simultaneamente em um livro de viagens, com a jovem borboleteando os jardins da cidade natal de seus autores preferidos, para descrever as diferentes cores locais; em reflexões, sob o formato de poesia, fazendo com que questionemos comportamentos cotidianos: “Despreconceito / é a compreensão do outro na gente”; e também se apresenta como um diário, oferecendo ao leitor a intimidade de uma adolescente que, apesar da adversidade, vai metamorfoseando-se e desabrochando-se a cada novo aprendizado, sem perder sua inocência e pureza. Uma literatura polimorfa, portanto, por conter em si múltiplas propostas estéticas.

Que reverbere, em nós, a principal mensagem da obra, alicerçada na impermanência e na transitoriedade da vida, visando não o hedonismo imediatista tão comum em nossa época, mas sim a percepção de cada minuto como uma dádiva em prol de nosso aprimoramento ético, moral, intelectual, mental e físico. 




A personagem principal ama as borboletas porque identifica-se com seus voos; mas eu a vejo também nos mares, não como uma arraia-borboleta, mas como uma determinada espécie de ostra, a princípio fechada em sua concha, mas que, com o passar do tempo, fixa-se a uma rocha fazendo dela o seu sustentáculo – Maria Rosa e Rocha –, transformando sua dor em pérola (pois não há pérola sem sofrimento), e oferecendo ao mundo a mais preciosa joia gerada em seu âmago, em seu íntimo, em suas entranhas. 



* Leila Míccolis é Mestra, Doutora e com Pós-Doutorado em Letras/Teoria Literária (UFRJ), pesquisadora, escritora de livros, TV, teatro e cinema.


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O livro pode ser adquirido aqui:
https://livrariapatuscada.m.minhalojanouol.com.br/borboleta-a-menina-que-lia-poesia-de-chris-herrmann-351681/p

10 Jul 2018

Borboleta - a menina que lia poesia, de Chris Herrmann, resenhado por Nic Cardeal




PORQUE BORBOLETAS TAMBÉM SÃO POETAS DE VENTANIAS E ESPERANÇAS

 Por Nic Cardeal



BORBOLETA – a menina que lia poesia é o mais recente livro escrito e publicado por Chris Herrmann (São Paulo: Patuá, 2018), que conta a história de uma menina órfã de 14 anos, que vive sua adolescência em um hospital.

Maria Rosa vê o mundo pelas lentes da poesia, das ‘viagens’ que faz a bordo da sua ‘asa de borboleta’ chamada imaginação, dos livros que vai devorando em sua imensa sede de vida, já tão pouca e tão fina... Como bem dito por Adriana Brunstein, na primeira orelha, “(...) os livros que emprestaram os olhos à Maria Rosa, para que ela pudesse ser ovo, lagarta e pupa, mas jamais adulta. Não no sentido que conhecemos (...)”.

A menina é conhecida como Borboleta porque, ainda tão pequenina, já costumava correr atrás das borboletas. Maria Rosa não fala desde que teve um sonho, aos 7 anos, do qual não se lembra – quem sabe emudecida por tantos traumas - perdeu os pais no curto espaço de um ano, quando tinha apenas 3 anos -. A menina navega em universos paralelos cujo barco é a poesia. A descoberta de uma leucemia leva Maria Rosa, aos 14 anos e depois de 11 anos vivendo em uma creche - "uma casa para crianças sem família" -, a ter de ir morar em um hospital, para tratar da doença, tendo de encarar nua e cruamente a situação: “(...) Lá as outras crianças têm o mesmo diagnóstico que eu: câncer. Não é uma palavra bonita, é? Não entendo porque faz parte do horóscopo. A pessoa compra uma revista para saber da sua sorte e dá de cara logo com o quê... Câncer! Chega, não aguento mais ter de escrever essa palavra. Já basta ouvi-la com frequência por aqui (...)” (2018, p. 27). A 'menina-borboleta' logo de início se pergunta, de forma poética: “Com quantos tons se retoca a vida de uma borboleta?” (2018, p. 9). 

A autora delineia os caminhos de Maria Rosa mesclando a trajetória da narrativa com poesias, enquanto também intercala situações ‘reais’ da sua personagem na luta contra a doença, com suas ‘viagens’ pela Floresta Amazônica: “(...) Luas e aventuras se passaram que eu nem sei contar. Só sei que houve um dia onde a minha história, ainda que adormecida em meus sonhos, começou. Minha mãe, uma jovem borboleta que já carregava nas cores suaves das asas o peso de uma metamorfose sofrida, alimentava-se e ocupava-se da beleza da bromélia. Meu pai, sempre muito distraído, atrapalhou-se todo na viagem entre dois canteiros e resvalou a asa direita no musgo da folha verde da árvore gigante. De repente, viu-se caído sobre a bromélia vizinha a que pousara minha mãe. Esta riu-se toda do desastrado. Meu pai, um meninão-borboleta de asas bem coloridas, primeiro ficou ruge, mas logo em seguida não resistiu e gargalhou também. Então veio o silêncio formando uma brisa exótica que não surgia apenas daquele jardim. Meus pais estavam – para a minha fortuna ou não – de alma ruborizada e asas caídas! (...)” (2018, pp. 15/16).

Desse lugar que raramente pode sair, a menina viaja nas asas da 'borboleta-imaginação', sempre nutrida por livros, visitando cidades, lugares, descobrindo poesia, poetas, encantos de outras terras: “(...) Você me perguntaria como é possível descrever um lugar que eu nunca estive. Estive sim! Apenas de uma forma diferente de você. Os olhos, peguei emprestado dos livros. As asas, da borboleta (...)” (2018, p. 21). 

Depois de passar mal pela primeira vez, a adolescente é levada para o hospital. A descoberta é trágica: “(...) Fiquei esperando o teto desabar na minha cabeça a qualquer décimo de segundo. E ele desabou. Eu tenho Leucemia. Não voltarei mais para a creche. Se tiver sorte, viverei mais uns seis meses. O hospital é o meu novo casulo maior (...)” (2018, pp. 23/24). 

Maria Rosa precisa se acostumar com seu novo ‘lar’. Sente saudades das crianças da creche, das conversas com as mãos, os olhos, os ouvidos, sorrisos e abraços. Sente dores de corpo e de alma. Seu grito é silencioso: “(...) será que existe remédio para a desesperança? (...)” (2018, p. 25):
Maria Rosa é transferida para a ala de crianças com câncer, um lugar onde, segundo ela, a tristeza é bem camuflada. Renova-se em energia e esperança, volta a ler, a fazer suas ‘viagens’ imaginárias por lugares nunca vistos. Comemora seus 15 anos entre as novas amigas do hospital, com bolo de aniversário e borboletas artesanais. A alegria passageira traz um presente inusitado e permanente: Maria Rosa volta a falar, dizendo “muito obrigada!” A felicidade é geral: “(...) O novo casulo maior abriu meus horizontes literalmente. Devolveu-me a voz (...)” (2018, p. 34).

A partir de então a vida, ainda que triste diante das dores da doença, traz novas esperanças ao coração da 'menina-borboleta', por meio da voz que se faz ouvida. Maria Rosa sente o mundo muito mais colorido com a prática do diálogo, das conversas com sua melhor amiga no hospital, a menina Márcia. Maria Rosa conversa, lê, escreve, e seu pequeno mundo no quarto do hospital vai ficando muito maior. Mas a vida em um hospital também traz surpresas tristes, já esperadas... A menina Míriam, também internada, faz a 'viagem sem volta': “(...) De repente, o frio. Não aquele que desejávamos para refrescar o dia, mas o frio que não foi convidado. O frio que faz um buraco na alma da gente. Hoje não quero viajar. Miriam partiu e não poderemos mais sorrir com ela. Talvez haja um adeus que mora dentro da gente aqui no casulo maior. Mas ele não se pronuncia, não se explica. É um nada que se engasga na garganta da gente e que é, ao mesmo tempo, necessário. Deveríamos estar preparados para ele. Na verdade, nunca estamos (...)” (2108, PP. 43/44).

“Adeus,
Por onde anda você?
Quem o inventou?
Quem o convidou?
Quem o entendeu?”
(2018, p. 44)

Maria Rosa faz reflexões sobre sua vida, comparando-se e se sentindo uma genuína borboleta, em todas as suas fases de curta vida: ovo, larva, pupa e idade adulta. Lembra do poeta das miudezas, Manoel de Barros, viaja imaginariamente até Cuiabá, sua cidade natal. A menina também reflete sobre a solidão das pessoas nas grandes cidades, sobre a falta de compartilhar as pequenas desimportâncias que nos fazem mais humanos, sobre os medos e a doença que atinge a todas as crianças naquele casulo hospitalar, porque “(...) não há muito o que esperar (...)”, embora ela própria entenda que “(...) se há medo, há também asas capazes de nos fazer flutuar e sobrevoá-lo (...)” (2018, p. 51).

“O medo e as asas.
O medo é um ser invisível,
feito de um material pesado
e olhos cabisbaixos.
As asas, visíveis ou não,
são tão leves
que abraçam um céu
com olhos de plumas
que apontam rumos.”
(2018, p. 51)

A vida vai seguindo rumos inesperados naquele pequeno pedaço de mundo e Maria Rosa descobre que seu amor por sua amiga Olívia é correspondido. Um amor que ultrapassa as fronteiras da amizade, transformando-se em profunda alegria. Mas a vida também traz momentos difíceis, com os efeitos colaterais da quimioterapia, em que o corpo e a alma prostram-se cansados e entregues. Mas Maria Rosa insiste em acreditar muito mais no amor do que na dor: 

“(...) Amor
– asas sutis
que não se enquadram
em explicações
de ordem.
Sentir explica toda
a desordem".
(2018, p. 75)

Maria Rosa amadurece muito cedo porque a vida lhe exige um alto preço de compreensão das coisas do mundo, das coisas de fora e de dentro, de desapegos urgentes, imensos, de costurar em finos fios os horizontes tão poucos que se estendem bem diante da sua vida que urge, que ruge, grita, esperneia, acalma, e ainda encontra linhas de remendar alheias esperanças e consolos: "(...) Amizade/é aquela via de mão dupla/que não necessita de carros,/mas de asas e corações" (...) (2018, p. 83). Porque a vida - toda a vida - sempre é por um fio, às vezes meada, novelo, carretel, às vezes corda grossa, comprida, às vezes cordão de amarrar imensas tempestades anunciadas e desmedidas, às vezes tênue linha que vai subindo aos poucos céu acima, feito papagaio, pandorga ou pipa, até que o fio se solte, se rompa - e finalmente voe solta - à procura de horizontes outros no vertical azul do caminho onde estrelas também sonham o sonho justo do infinito...

Esse livro é todo feito de asas. A todo momento você se depara com asas. De borboletas. Da imaginação. Dos bons sonhos da menina Rosa. De poesia. Das suas próprias asas, enquanto lê. Esse livro é todo feito de amor. De dor e de esperança. De tantos pesos desmedidos e de aéreas levezas. Feitas de asas. Porque "(...) só as coisas pequenas cabem na leveza da alma (...)" (2018, p. 120)

Esse livro é sobre eu e você. E borboletas. Porque borboletas também são poetas de ventanias e esperanças.

Recomendo muito esse voo!

Borboleta - a menina que lia poesia






6 Apr 2018

Lançamento: Borboleta - a menina que lia poesia




Borboleta - a menina que lia poesia
Editora Patuá, 2018
Lançamento





"(...) Em cada um dos oito capítulos deste livro, Chris Herrmann revela tom a tom a formação da consciência de uma menina-crisálida que se prepara para sair definitivamente de seu casulo. De todas as descobertas de Maria Rosa, a poesia foi a que a embalou desde o berço e a que a trouxe serenidade para lidar com fatos e sentimentos antes inimagináveis."
Leonel Prata


"(...) É que Maria Rosa amadurece dentro da gente para nos fazer voltar a ser crianças.
Essa é a única maneira de finalmente compreendermos as dores que tanto riem de nossas almas.
De enxergarmos a invisibilidade do medo. De praticarmos a pequenez das coisas sem tempo e suas intensidades. De nos sabermos um pouco Rimbauds de nós mesmos, culpando a delicadeza que parece monstruosa demais para nos deixar partir."
Adriana Brunstein





O romance Borboleta - a menina que lia poesia de Chris Herrmann publicado pela Editora Patuá será lançado em Maio no Brasil em São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Contará com a presença da autora brasileira, carioca, que há vinte e dois anos vive na Alemanha. O prefácio tem assinatura do jornalista e escritor Leonel Prata. O texto da orelha, da escritora e poeta Adriana Brunstein. A pré-venda será aberta em breve no site da editora: www.editorapatua.com.br





Sinopse:


Maria Rosa é uma menina órfã de 14 anos que perdeu seus pais muito cedo para as agruras da fome e da miséria. Ganhou o apelido de borboleta no dia em que chegou à creche e corria atrás daquele bichinho tão lindo de asas coloridas.Traumatizada e muda, ela cria seu próprio mundo a partir das leituras de poesia que tanto ama. Viagens literais de uma borboleta sonhadora com o mundo fora de seu casulo. Mas a borboleta tem dificuldades de se comunicar com as outras crianças de sua idade no mundo real. A grande reviravolta na vida desta borboleta não chegou de forma doce nem florida. Foi através da Leucemia que seu olhar sobre o mundo e seus casulos foi se modificando. A poesia penetrou nas asas da menina. Novas tonalidades de vida foram surgindo. Suas descobertas alteraram as rotas de voo de Maria Rosa e de seus novos amigos de forma sensível e surpreendente. A história começa contada na Floresta Amazônica, se fixa em Manaus, e percorre várias cidades do Brasil através das leituras de poesia da borboleta. E nós viajamos com ela, sem chances de não nos emocionar.


Datas e locais de lançamento:


Dia 4/5 – 19h – Patuscada: Rua Luís Murrat, 40 - São Paulo

Dia 6/5 às 16h, a autora estará na Casa Amarela - R. Julião Pereira Machado 7, SP - para o relançamento de Gota a Gota, Scenarium 2016, e levará exemplares do romance para quem não puder comparecer ao Patuscada.

Dia 11/5 – 19h – Letras e Ponto: Rua Aimorés, 388 – salas 501/502 - Funcionários - BH

Dia 18/5 – 19:30h – Starbucks: Av. N.S. Copacabana, 1058 - Copacabana - RJ










Chris Herrmann é escritora/poeta, editora e musicista carioca radicada na Alemanha. No Brasil, estudou Literatura (UFRJ), Música (CBM) e Webdesign (Uni Carioca). É pós-graduada em Musikgeragogik (Musicoterapia e Educação Musical para Terceira Idade) pela Universidade de Münster, Alemanha. Autora dos livros de poesia “Voos de Borboleta”, “Na Rota do Hai y Kai” e “Gota a Gota”. Organizou e participou de várias antologias de poesia. Edita Boca a Penas com Adriana Aneli. Colabora e tem poemas publicados em diversas revistas literárias impressas e eletrônicas como: Scenarium Plural; Algo a Dizer; Blocos Online; Zona da Palavra; Germina; Mallarmargens; entre outras.




10 Oct 2016

No interior do silêncio mais silêncio

Querida Z.,

uma brisa de lembranças me tocou suavemente esta manhã ao receber a sua carta. Com ela, o dia das crianças que passamos juntas naquela tarde ensolarada de outubro me pareceu ontem. Um silêncio invadiu meu sorriso e nos abraçamos em câmera lenta...

Suas linhas me acompanharam todo o dia de hoje, até no trabalho. Lembrei-me da sua avó Ana (você dizia "nossa avó") servindo bolo de milho e você me chamando para curtir momentos doces com vocês no quintal.

Aqui no asilo mora uma senhora muito parecida: Frau Hönig (senhora mel) até no nome destila doçura. Ela tem Alzheimer e não se lembra de quase nada do seu passado. Eu sonho todos os dias que ela é a vovó Ana e eu sou a abelha-criança que a visita porque você me chamou.

Depois de amanhã é dia das crianças, só que sem bolo de milho, sem você, mas com a vovó mel... assim perceberei você chegando pelo cheiro do café, do bolo e das nossas gargalhadas. 

Nossa abelha-criança, sempre muito teimosa, continuará a extrair o mel dos tempos idos, não é? Então, não podemos deixar de apurá-los no quintal desse nosso cinema mudo. Hoje há flores do campo pelo caminho das minhas palavras, mas uma só essência: a que me diz quem sou e de onde vim. No interior do silêncio há mais silêncio e mais vida.

Ficarei no aguardo de suas linhas, como uma abelha do seu favo de mel.

CH




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Participam do Projeto Missivas de Primavera:


Ingrid Morandian: https://www.facebook.com/ingrid.morandian?ref=ts&fref=ts
Manogon Manoel Gonçalves: http://coisasdemanogon.blogspot.com


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6 Oct 2016

Nessa manhã de outubro, respiro!

Querida Z.,

recebi sua carta esta semana com a alegria das borboletas que recebem as flores mais raras de presente. É tão bom saber notícias suas... respiro aliviada ao ler suas linhas trazendo ótimas notícias! Você venceu a luta contra o câncer. Parabéns!

Você me pergunta como eu estou. Eu estou bem sim, mas hoje estou melhor ainda. Sua carta me renovou as esperanças. Estou muito gripada, mas isto não é nada em comparação a tudo que você tem passado nos últimos meses. Sempre penso em você, minha querida amiga. E se aqui na Alemanha - nesta manhã cinzenta de outubro - é outono, também é primavera trazida pela sua carta do Brasil.

A vida aqui não mudou muito. São flores e espinhos do dia a dia trazidos pelo pólem da vida. A gripe? Eu respiro e espirro. Mas já estou melhorando. Meus filhos já saíram a tempos do casulo e eu me sinto, às vezes, uma lagarta-mãe "borbsoleta", hehe. Mas só às vezes, porque também amo vê-los voar... ah, o perfume dos tempos... A lagarta-coruja os acha lindos! O trabalho chama a mim e meu marido todos os dias, como um relógio movido a cordas de temporal... mas também temos reservado tempo para cultivar o jardim da preguiça. O ócio pode ser um remédio criativo...

Ontem, fazendo compras, me lembrei de você. Comprei refresco de morango. Sei que você adora. Aprendi a gostar por sua causa. E isso me fez lembrar de uma outra coisa: o dia que paramos para observar longamente uma joaninha. Lembra disso? Eu nunca esqueci. Aqui vivo procurando joaninhas e borboletas. Outras vezes, penso que elas me procuram. A infância é a melhor primavera da gente.

Agora me despeço com flores nas mãos e orvalho nos olhos. A saudade é um rio sem estação, mas hoje ele passa por você.

Com carinho,

CH



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Participam do Projeto Missivas de Primavera:

Ingrid Morandian: https://www.facebook.com/ingrid.morandian?ref=ts&fref=ts
Manogon Manoel Gonçalves: http://coisasdemanogon.blogspot.com


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5 Oct 2016






A vida que surge das águas, que nos envolve em suas correntes é a mesma que nos afoga em lágrimas e sorrisos. A mesma que provoca o renascimento e a necessidade de navegação dos nossos sonhos. Somos marítimos por natureza. Gota a Gota, de Chris Herrmann, reúne poemas da autora-capitã que se propõe a contar em versos as sutilezas deste navegar feminino em águas profundas. Os desenhos de Cristina Arruda a acompanham mar a dentro e gota a gota.

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Poemas de Chris Herrmann com desenhos inéditos da artista plástica mineira Cristina Arruda.

Prefácio de Jandira Zanchi, posfácio de Bianca Velloso e contracapa de Marcilio Godoi.

Editora Scenarium Plural - Livros Artesanais

9 Apr 2016

GOTA A GOTA

Breve será lançado pela editora artesanal Scenarium o meu livro GOTA A GOTA, com 80 poemas de minha autoria e ilustrações da artista plástica mineira Cristina Arruda.

Aguardem!



20 Aug 2015

Lançamento de NA ROTA DO HAI Y KAI, de Chris Herrmann

Esperamos vocês, amigos, para o lançamento amanhã, 21 de agosto, 6a. feira, o dia todo, aqui: www.facebook.com/narotadohaiykai

Na Rota do Hai y Kai, livro digital do selo TUBAP Books, já se encontra à venda na livraria Saraiva: http://www.saraiva.com.br/na-rota-do-hai-y-kai-9001500.html

A renda obtida nas vendas da obra será 100% revertida para o projeto Mano Down (https://www.facebook.com/manodown).



24 Jul 2015

Vem aí o livro NA ROTA DO HAI Y KAI

Em breve será lançado o livro digital NA ROTA DO HAI Y KAI. São 50 haicais de Chris Herrmann com tradução para o espanhol e desenhos do artista chileno Leo Lobos e prefácio do haicaísta Álvaro Posselt.

A obra leva o selo TUBAP. A revisão e o posfácio são de Adriana Aneli. Capa e arte gráfica de Chris Herrmann.

Chris e Leo abrem mão dos direitos autorais em nome do projeto Mano Down, ONG para onde serão revertidas todas as vendas do livro.

Aguardem!!


Sobre Lagartas e Borboletas - a Exposição

DIÁLOGO DAS ARTES

Nosso SOBRE LAGARTAS E BORBOLETAS voou longe: de avião de trem de bonde!!! e virou EXPOSIÇÃO!!!

SIM!!! Chegamos em NITERÓI/RJ pelas mãos da artista plástica FLÁVIA TAIANO que prepara para setembro uma exposição no Centro Cultural Abrigo de Bondes, inspirada nos poemas do nosso livro

E para deixar a festa ainda mais linda, o Tempestade Urbana abriu o "meu diário", uma página especial do site, onde a artista conta o dia-a-dia no seu Atelier em Salvador-BA:

http://www.tempestadeurbana.com/#!atelier-flavia-taiano/cmf5


O lançamento do livro SOBRE LAGARTAS E BORBOLETAS



O livro DIGI e TAL "SOBRE LAGARTAS E BORBOLETAS"



O “Projeto do Ovo ao Voo” idealizado pelas poetas Adriana Aneli, Adriane Garcia, Chris Herrmann e Maria Balé reúne 75 poetas de várias idades, estilos e países com o objetivo de construir visões múltiplas sobre o tema “transformação”.

Com participação voluntária de todos os autores e artistas envolvidos na organização e produção, nasce o e-book SOBRE LAGARTAS E BORBOLETAS.

De sonetos a improvisos repentistas, da prosa poética ao rapper, a liberdade lírica dá o tom à obra e ao exercício poético: desafio e superação, medo e coragem, desejo e libertação.

O livro recebe o selo TUBAP Books, prefácio de Chris Herrmann, projeto gráfico de João Baptista da Costa Aguiar e Angela Mendes, com ilustrações inéditas da artista plástica mineira Cristina Arruda.

 

A surpresa fica por conta das biografias dos poetas, narradas a partir dos olhos dos insetos que os representam.

A renda obtida com a venda do livro será totalmente revertida para o projeto social MANO DOWN, entidade sem fins lucrativos que promove, através da visibilidade, a igualdade social, para que as pessoas com down e outros deficientes tenham liberdade para dirigir a própria vida.

 

O Lançamento virtual do livro "SOBRE LAGARTAS E BORBOLETAS" aconteceu no Facebook no dia 27 de junho de 2015, durante todo o dia, com bate-papo e participação de todos os autores em página criada especialmente para divulgação do projeto:

https://www.facebook.com/sobrelagartaseborboletas?ref=hl

Este é o convite que foi divulgado divulgado e todos que se interessaram sobre literatura puderam participar...



Autores:

Adri Aleixo, Adriana Aneli Costa Lagrasta, Adriana Elisa Bozzetto, Adriane Garcia, Afobório Feito de Carniça, Alberto Bresciani, Albino Alves, Alessandro Dornelos, Alexandre Guarnieri, Ana Elisa Ribeiro, Anahí Celeste Cao (Argentina), Bianca Velloso, Caetano Lagrasta, Carlos Magno, Carlos Moreira, Carlos Ventura (Suíça), Carminha Mosmann, Cely de Ceci, Chris Herrmann (Alemanha), Clauco Oliveira, Claudinei Vieira, Claudio Castoriadis, Cris Arruda, Diovani Mendonça (diÔ), Edmilson Felipe, Félix Coronel, Fran Nóbrega, Gabriel Resende Santos, Germana Zanettini, Germano Quaresma, Inês Monguilhott, Iracema Machado, Janet Zimmermann, Jô Diniz, Jorge Nagao, José Couto, José Reginaldo, Lázara Papandrea, Leila Silveira, Líria Porto, Lou Albergaria, Lourença Lou, Luciana do Rocio Mallon, Luciane Lopes, Luís Augusto Cassas, Luiz Gondim, Mag Faria, Maite Voces Calvo (Espanha), Maria Balé, Mariana Queiroz, Marília Lima, Marina Bozzetto, Marcelo Adifa, Marcelo Moro, Marcos Magoli, Marcus Fabiano, Nil Kremer, Norma de Souza Lopes, Paulo Bentancur, Paulo de Toledo, Paulo Guilherme, Paulo Magalhães, Paulo Paterniani, Rogério Miranzelo, Seh M. Pereira, Sonia Salim, Suzana Pires, Tania Amares, Tejo Damasceno, Tere Tavares, Thiago Prada, Vera Molina, Wander Porto, Winston Morales Chavarro (Colômbia) e Zeca Jardim.