Gabriel Haddad e Leonardo Bora participam de exposição no MAM Rio e de conversa na ArtRio
Por Redação 💬
Neste final de semana, Gabriel Haddad e Leonardo Bora participam de exposição no MAM Rio e de conversa na ArtRio
Vencedores do Prêmio PIPA no ano passado, um dos mais importantes prêmios de arte contemporânea do país, os carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora participam, neste sábado, dia 19 de setembro, da exposição “Carnaval como método”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio). No domingo, dia 20 de setembro, às 16h, eles estarão na ArtRio para a conversa “Carnaval e arte contemporânea”. ao lado de Milton Cunha e Leandro Vieira, com mediação de Alicia Cesário. Além disso, Haddad e Bora também integram a exposição "De Olhos d'Água ao Rio-Mar: Olímpia abraça o Rio de Janeiro", em cartaz na Estação Cultural de Olímpia (ECO), em São Paulo, até março de 2027.
No MAM Rio, a exposição “Carnaval como método” leva para o espaço museológico os processos de criação desenvolvidos no Carnaval das escolas de samba do Rio de Janeiro. A mostra reúne obras inéditas comissionadas a seis carnavalescos em atividade - entre eles, Gabriel Haddad e Leonardo Bora, que, no contexto fabril da Cidade do Samba, desenvolvem o enredo “Torto arado – sobre a terra há de viver sempre o mais forte”, baseado na obra de Itamar Vieira Junior, para a Unidos de Vila Isabel. A mostra também reúne trabalhos dos carnavalescos Joãosinho Trinta (1933–2011), Rosa Magalhães (1947–2024) e Maria Augusta Rodrigues (1942–2025), além de pinturas de artistas ligados ao universo do samba e do Carnaval, como Heitor dos Prazeres e Nelson Sargento. A exposição ocupará o Salão Monumental e o mezanino, com curadoria de Raquel Barreto, Pablo Lafuente e Phelipe Rezende, além da colaboração de Debora Moraes e Edu Gonçalves.
Gabriel Haddad e Leonardo Bora apresentarão quatro trabalhos inéditos no MAM Rio, pensados de forma a mapear as suas próprias memórias afetivas e referências artísticas originárias do universo das escolas de samba. Cada obra assimila e deglute signos, materiais e técnicas que se referem aos trabalhos de quatro artistas do carnaval que já deixaram a vida. “Pensamos quatro obras inéditas para a exposição do MAM, que se propõe a debater os processos de construção do chamado ‘maior espetáculo da Terra’. Diante disso, vimos a possibilidade de trabalhar com processos, trânsitos, materiais, cores e imagens que conectam as nossas experimentações artísticas às memórias de Joãosinho Trinta, Maria Augusta Rodrigues, Rosa Magalhães e Fernando Pinto”, conta Haddad. “Nos barracões, ferramentas, terminologias e tecnologias são inventadas todos os dias. O Museu de Arte Moderna se abrir para este diálogo polifônico é um gesto interessante para a revisão crítica da própria ideia de museu, já que as escolas de samba, instituições centenárias, não precisam de outras validações. Entendemos essa ocupação como um momento efervescente, importante para combater preconceitos históricos e para dimensionar as escolas de samba enquanto coletivos artísticos pensantes, não apenas como objetos a serem pensados, completa Bora.
OBRAS INÉDITAS EM EXPOSIÇÃO
Os quatro trabalhos inéditos que Gabriel Haddad e Leonardo Bora apresentarão na exposição “Carnaval como método”, no MAM Rio, evocam as memórias de artistas que vieram antes deles e que permanecem influenciando não apenas suas trajetórias, mas a coletividade dos fazedores de carnaval – passado, presente e futuro.
Dentre as obras apresentadas estará “Avessos”, uma instalação que ocupa uma grande área de parede do Salão Monumental. “Ela parte da visão dos sacos de fantasias acumulados nos ateliês e nas áreas de concentração e dispersão dos desfiles, além do próprio processo de ensacar as alegorias para o transporte do barracão até a avenida, que é sempre uma travessia angustiante, porque muita coisa é danificada”, diz Haddad. A lona plástica preta foi um material utilizado por Joãosinho 30 nos carnavais que assinou em 1989, na Beija-Flor de Nilópolis, e 1997, na Unidos do Viradouro. “Em cada um desses desfiles emblemáticos, esse mesmo material banal e corriqueiro, que encontramos nas nossas casas e não associamos diretamente ao esplendor feérico dos desfiles, adquiriu significados diferentes. Todos lembram da proibição do Cristo Redentor mendigo, que desfilou encoberto por lona preta, em 89; e todos lembram do carro abre-alas repleto de sacos pretos que João concebeu em 97, representando o ‘nada’, o início do Big Bang. No MAM, propomos uma reflexão sobre o que é mostrado no Sambódromo e o que fica oculto nos sacos da criação do Carnaval”, ressalta. Ao todo, 120 sacos enchidos com resíduos de processos carnavalescos (sobras de fantasias, adereços e esculturas de outros carnavais) pintam uma tela tridimensional. “Alguns desses sacos explodem e revelam o seu conteúdo, que escorre em brilhos e cores até o chão do museu. O lixo e o luxo. Também estamos falando, portanto, de segredo.”, completa o artista.
“Os enredos e as provocações visuais de Fernando Pinto pulsam vivos em 2026, nesse mundo que continua em guerra, distópico, buscando as fronteiras do espaço”, afirma Bora. Essa tensão hiperconectada gerou “Qualquer lugar”, uma escultura giratória confeccionada com resíduos eletrônicos e materiais têxteis. “O uso da fibra cristal aparente, em desfiles de Maria Augusta Rodrigues, entre as décadas de 1970 e 1990, é um recurso tecnológico que ganhou enorme projeção de 2023 para cá, com a utilização da nova iluminação cênica da avenida”. Esta é a base conceitual do móbile “Orbes”. “Tudo vai se renovando, num girar poético”, conta Bora.
A quarta obra, “Devir – Devorar”, conjuga desenho, escultura e videoarte, evocando a ideia de devoração antropofágica presente em trabalhos de Rosa Magalhães. Em parceria com a escultora Marina Vergara, colaboradora da dupla desde 2019, Haddad e Bora desenvolveram uma onça alada “empastelada” (modo como se chama a mais comum técnica de papietagem observada nos barracões, empregada para conferir maior durabilidade às peças de isopor) com cola de farinha de trigo (uma receita tradicional, pouco usada na contemporaneidade) e papeis recortados que remontam desenhos de Rosa Magalhães que compõem o acervo da Rede Sirius – UERJ. O processo foi documentado em um vídeo cuja montagem é de Douglas Soares, cineasta cujos trabalhos dialogam com o universo das escolas de samba – algo visto nos premiados filmes “A alma das coisas”, de 2023, dirigido em parceria com Felipe Herzog, e “Papagaios”, de 2025, premiado no Festival de Gramado.
CONVERSA NA ARTRIO E EXPOSIÇÃO EM SÃO PAULO
No dia seguinte à inauguração da exposição no MAM Rio, Gabriel Haddad e Leonardo Bora participarão da conversa “Carnaval e arte contemporânea”, na ArtRio, com participação de Milton Cunha e Leandro Vieira e mediação de Alicia Cesário. Eles falarão sobre seus processos de trabalho e das relações entre a arte contemporânea e o Carnaval. Para Bora, o momento é de efervescência:
“Muito debatemos sobre a necessidade de expansão dos conceitos de arte na contemporaneidade. Questionamos o cubo branco e falamos em quebrar muros, rasurar o cânone, decolonizar os museus, repensar as ideias de coleções e acervos. Os desfiles das escolas de samba são produto de mais de um século de experimentações artísticas que ocupam as ruas de uma cidade como o Rio de Janeiro. Saberes e vivências compartilhados e construídos por artistas que sempre transitaram por diferentes círculos culturais, numa permanente negociação entre os conceitos de tradição e modernidade”, diz Bora.
Além da exposição do MAM-Rio, a dupla também participa da mostra "De Olhos d'Água ao Rio-Mar: Olímpia abraça o Rio de Janeiro", na cidade de Olímpia, em São Paulo. O público poderá conferir seis obras de Gabriel Haddad e Leonardo Bora, entre desenhos originais e projetos de fantasias e alegorias produzidos a partir de 2020. Como destaque, os desenhos das fantasias do 1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira e da bateria do carnaval de 2026 da Unidos de Vila Isabel, além do projeto alegórico da Comissão de Frente e da quinta alegoria do desfile de 2022 do GRES Acadêmicos do Grande Rio, que foi campeão do Grupo Especial, com enredo sobre Exu. Há, ainda, uma fotografia da fantasia “Bate-bolas”, parte do mesmo desfile campeão da Grande Rio, assinado por Haddad e Bora. A curadoria é assinada por Dil Fonseca, professor e pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF), especialista em cultura popular, e por Cota Azevedo, artista visual e jornalista comunicóloga.
SOBRE OS ARTISTAS
Gabriel Haddad e Leonardo Bora são multiartistas e professores brasileiros que encontram nas linguagens das escolas de samba a sua principal encruzilhada criativa. Enquanto carnavalescos, desenvolveram narrativas escritas e visuais para agremiações como Mocidade Unida do Santa Marta, Acadêmicos do Sossego, Acadêmicos do Cubango, Acadêmicos do Grande Rio e Unidos de Vila Isabel. Na Grande Rio, merece destaque o cortejo de 2022, “Fala, Majeté! Sete Chaves de Exu”, campeão do Grupo Especial carioca ao celebrar as potências de Exu. No desfile de 2026 da Unidos de Vila Isabel, a dupla apresentou vida e obra de Heitor dos Prazeres., alcançando o terceiro lugar na disputa. Misturando vozes e materialidades, expuseram trabalhos em instituições como o Museu de Arte do Rio, o CCBB-RJ, o Paço Imperial, a Pinacoteca de São Paulo, o Grand Palais – Paris, o Centre National du Costume (Moulins), o Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, o Museu Bispo do Rosario Arte Contemporânea, o SESC Pinheiros, o Museu do Samba, o MUHCAB e a Casa Brasil. Além disso, foram figurinistas do programa televisivo "The Masked Singer Brasil", da Rede Globo de Televisão, nas temporadas 3 e 4. Participaram como cenógrafos do projeto "Marazul”, em 2022, 2023 e 2024, na cidade de Niterói. Foram autores das instalações "Roda-Gira", que ocupou a rotunda do CCBB-RJ durante a exposição "Heitor dos Prazeres é Meu Nome" (2023), e “Vermelho-Mangue”, parte da exposição “Manguezal”, no CCBB-RJ. São os figurinistas do espetáculo “Aquele Abraço”, do Roxy Dinner Show. Em 2025, venceram o Prêmio Pipa de Arte Contemporânea e expuseram partes do desfile do mesmo ano no Grand Palais, em Paris. No ano de 2026 participaram da exposição “Casa Fluminense” da Casa Brasil. Para o carnaval de 2027, segundo ano à frente do projeto da Unidos de Vila Isabel, estão preparando o enredo “Torto arado – sobre a terra há de viver sempre o mais forte”, baseado na obra de Itamar Vieira Junior.
SERVIÇO:
Exposição Carnaval como método
Abertura: 19 de setembro de 2026
Encerramento: 21 de fevereiro de 2027
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
Av. Infante Dom Henrique, 85 - Aterro do Flamengo - Rio de Janeiro | RJ
Quartas, quintas, sextas, sábados domingos e feriados, das 10h às 18h. Aos domingos, das 10h às 11h, visitação exclusiva para pessoas com deficiência intelectual
Ingressos: https://www.mam.rio/ingressos
Entrada gratuita para todos os públicos
(21) 3883-5600
Conversa ArtRio
Dia 20 de setembro de 2026, às 16h
Marina da Glória - Av. Infante Dom Henrique, S/N – Glória - Rio de Janeiro | RJ
Exposição: De Olhos d'Água ao Rio-Mar: Olímpia abraça o Rio de Janeiro
Até 31 de março de 2027
Estação Cultural de Olímpia (ECO) – Galerias 1 e 3
Rua Cel. José Medeiros, 477 – Patrimônio de São João Batista – Olímpia/SP
Diariamente, das 9h às 21h
Entrada: Gratuita
GALERIA
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