PATYATRINHO: O ESPETÁCULO ´ABRAÇA´

Por Paty Lopes 💬

Marcelo Dog em ´Abraça´ | Divulgação

A B R A Ç A

Abraça é um espetáculo de Paty Lopes, que reúne delicadeza, pesquisa e afeto em uma experiência cênica voltada à primeira infância. Além de idealizar o projeto, Paty assina a dramaturgia, desenvolvida em diálogo com estudos sobre o desenvolvimento infantil e a escuta sensível das crianças pequenas.

Em cena, Marcelo Dog conduz a narrativa com presença acolhedora e grande sensibilidade. Ao lado de Paty Lopes, construiu uma encenação que privilegia a corporeidade da primeira infância, com ritmos desacelerados, gestos amplificados e estímulos sensoriais cuidadosamente elaborados para respeitar o tempo de percepção dos pequenos espectadores, um artista gentil. Em 2026, Marcelo Dog foi agraciado com o prêmio de Melhor Ator em Teatro para Crianças, concedido pela CBTIJ (Centro Brasileiro de Teatro para a Infância e Juventude), reconhecimento que reforça sua trajetória dedicada ao teatro infantil. Além de construir a caixa mágica!

Marcelo Dog em ´Abraça´ | Divulgação

Além do impacto sensorial e estético, o espetáculo cumpre também um importante papel educativo ao estimular hábitos de higiene quando, por exemplo, a atriz simula um banho na cobra e nela mesma. Em outro momento, trabalha o abecedário com as crianças, reforçando o aprendizado das letras por meio da brincadeira e da musicalidade. A peça aborda ainda noções de educação ambiental ao mostrar a personagem recolhendo um papel do chão, ensinando, de forma simples e afetiva, a importância de cuidar do espaço coletivo e da natureza. Marcia Renault, jornalista.

O cenário, os figurinos e os adereços, criados por Francisco Leite, apresentam uma estética suave, artesanal e acolhedora. Cada elemento parece carregar a memória das peças costuradas com carinho por alguém que ama.

Abraça | Divulgação

A cobra de quase oito metros de comprimento é a personagem central da história. Sua manipulação conta com a supervisão da experiente Marise Nogueira, referência na arte da animação de bonecos e objetos, garantindo movimentos delicados e expressivos à grande protagonista.

Comprometido com a acessibilidade, Abraça incorpora texto autodescritivo e sinais de Libras de forma orgânica à narrativa, permitindo que diferentes públicos compartilhem a mesma experiência sem que esses recursos interrompam a fluidez da encenação.

A trilha sonora original é assinada por Karina Cavalcanti, que compôs uma musicalidade delicada e sensível. As canções acompanham o ritmo interno das crianças, criando uma atmosfera de acolhimento e tranquilidade, especialmente pensada para proporcionar conforto também às crianças neurodivergentes.

Em sua segunda temporada, Abraça já coleciona relatos emocionados das famílias. O pai Bruno Flores, após assistir ao espetáculo com seu filho de dois anos e meio, resumiu a experiência:

"Tenho um filho de dois anos e meio e ele ainda tem medo dos antagonistas. Essa é uma pecinha para ele: tudo do jeitinho, no formato certo."

Mais do que um espetáculo, Abraça propõe um encontro afetuoso entre artistas, crianças e suas famílias, reafirmando que o teatro para a primeira infância pode ser, ao mesmo tempo, arte de alta qualidade, espaço de acolhimento e experiência transformadora.

Abraça | Divulgação

Sinopse

Um menino passa o dia em uma cabana em meio à natureza à procura de um amigo.
Com carinho e curiosidade, ele apresenta pequenos insetos e seres às crianças: borboletas, bichinhos, texturas e objetos encantados. Tudo sai da caixa mágica do Tetelo.
De repente, um ruído vindo da mata desperta o medo:
seria uma cobra?

Assustado, ele olha para ela, mas a curiosidade é mais forte que o temor.
O menino decide se aproximar e, pouco a pouco, descobre que aquilo que parecia assustador pode ser terno, divertido e cheio de possibilidades.
A amizade incomum que nasce entre ambos os leva a explorar o mundo juntos, descobrindo sons, texturas, ritmos e afetos que fazem parte da infância e da vida.

Abraça convida os pequenos espectadores a uma experiência sensorial, poética e acolhedora, onde o olhar, o toque e o som se tornam linguagem, e onde o medo, com suavidade, se transforma em afeto.

Um espetáculo para TODOS, por trazer a acessibilidade e apresentar nossa fauna ainda na tenra idade.

Marcelo Dog em ´Abraça´ | Divulgação

Ficha Técnica

  • Idealização e texto: Paty Lopes
  • Elenco: Marcelo DOG
  • Estrutura musical: Karina Cavalcanti
  • Contribuição em acessibilidade: Analu Faria e Christofer Moreira
  • Adereços, cenários e figurino: Francisco Leite
  • Fotografia: Rodrigo Menezes
  • Filmaker: Cido Accioly
  • Assessoria de imprensa: Julio Luz
  • Realização: A4 Filmes
  • Supervisão de animação: Marise Nogueira

Detalhes do Espetáculo

  • Texto e idealização: Paty Lopes
  • Direção: Marise Nogueira
  • Elenco principal: Marcelo Dog
  • Local: Teatro Gláucio Gil (Praça Cardeal Arcoverde, s/nº, Copacabana, Rio de Janeiro).
  • Temporada: De 15 de agosto a 30 de agosto de 2026.
  • Horários: Sábados e Domingos, às 16h
Marcelo Dog em ´Abraça´ | Divulgação

Coluna de Paty Lopes


 Paty Lopes é Dramaturga, crítica teatral e idealizadora de espetáculos para a infância

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