PSICOLOGIA - CIÚME OU CONTROLE?
Por Katia Salvaterra 💬
CIÚME OU CONTROLE?
Na sua relação começam a aparecer alguns pactos para a convivência ser possível. Isolamento social progressivo. Controle de comunicações. Monitoramento de senhas. Restrição de contato com pessoas. Isso acontece em qualquer tipo de relação; entre homens e mulheres, entre dois homens, entre duas mulheres. E isso não é ciúme comum. É um padrão de controle.
Ciúme é uma emoção. Todo mundo sente em algum grau. É aquele desconforto diante da possibilidade de perder alguém importante. Ele nasce da insegurança, e quando reconhecido, pode ser trabalhado, conversado, elaborado. A pessoa ciumenta sofre e sabe que sofre.
Controle é um comportamento. É o que a pessoa faz com o ciúme quando, em vez de lidar com a própria insegurança, em vez de buscar ajuda numa terapia, transfere a responsabilidade para quem está ao lado. Aí a outra pessoa precisa provar lealdade todos os dias: abrir senhas, cortar vínculos, prestar contas, restringir convívio. O foco sai do "eu me sinto inseguro, insegura" e vai para "você precisa mudar para eu me sentir bem."
É alguém reorganizando a vida do outro em torno da própria ansiedade.
E tem mais: quando quem é controlado passa a defender o controle; "não existe segredo entre nós", "é porque a gente se ama", essa pessoa já internalizou a lógica. Não é mais só um lado controlando. É o outro policiando o próprio ambiente para evitar conflito. A pessoa controlada vira co-gestora do próprio aprisionamento.
Ciúme pede acolhimento. Controle pede limites. E quando o controle é confundido com amor, quem está dentro da relação perde a capacidade de distinguir cuidado de cerceamento.



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