PATY LOPES: BATALHA DE MÁSCARAS

Por Paty Lopes 💬

Batalha de Improvisação com Máscaras | Foto: Divulgação

Batalha de Máscaras

Eu jamais imaginaria que um dia estaria em um teatro simplesmente para me divertir.

Muitas vezes, um crítico entra em uma sala de espetáculo carregando uma responsabilidade. Ganhamos ingressos, e isso já é suficiente para nos lembrar de que precisamos ter um olhar cuidadoso, atento e ético. Observamos a cena, a dramaturgia, a atuação, a luz, o figurino, a direção. Estamos sempre, de alguma maneira, trabalhando.

E, de repente, eu estava no Teatro II do Sesc Tijuca livre dessas amarras, e muito, muito perto daquilo que entendo como entretenimento.

Confesso: faltou apenas um vinho ou uma boa cerveja artesanal para acompanhar a montagem.

Ao entrar no espaço, a música alta, as cores, as luzes e sete artistas dançando já nos recebiam. Confesso também que não sou exatamente uma pessoa apaixonada por essa bagunça inicial. Mas tudo fazia parte da experiência. Alguns espectadores batiam palmas; outros observavam desconfiados. Eu estava entre eles.

Ao meu lado estavam Taty, Márcio Nascimento e Marise Nogueira. E Marise, além de atriz, é especialista em máscaras. Os três profissionais seriam os jurados daquela batalha.

Os figurinos me levavam ao puro suco de uma América Latina extremamente colorida. Havia também algo que me remetia ao deserto do Saara, especialmente pelos lenços amarrados na cabeça.

Fiz uma breve pesquisa sobre a relação entre as máscaras e diferentes tradições culturais. A máscara teatral tem uma história antiga, que remonta à Grécia, e seu uso atravessa diferentes culturas e formas de representação. Mas não é sobre isso que quero falar aqui.

O que realmente preciso registrar é a imensidão da força cênica desses artistas.

As vozes. As condições de postura. Os movimentos. A maneira como cada corpo se transforma quando recebe uma máscara.

Fiquei impressionada.

Que coisa linda é ver um teatro orgânico, vivo, pulsante. A máscara não escondia os artistas. Ao contrário: parecia revelar outras possibilidades de seus corpos, de suas vozes e de suas presenças.

Eles estão na mostra do Palco Giratório, que chega ao Sesc Tijuca trazendo também essa forte relação com o teatro de animação. E há ali um comportamento performático de altíssimo nível, mas sem aquela necessidade de provar o tempo inteiro que se está fazendo algo grandioso.

É teatro feito para encantar.

E eu me diverti. Muito.

A alegria da plateia era contagiante. Eu ria de gargalhar. Logo eu, que tenho verdadeiro pavor de peças cômicas!

Mas eles eram diferentes.

São artistas profissionais em nos encantar pela simplicidade, pelo improviso, pelo jogo, pela entrega. Nada parece feito para conquistar prêmios grandiosos. É feito para nós — seres humanos tão carentes de uma pausa, de uma gargalhada, de um momento em que possamos simplesmente esquecer o peso do cotidiano.

E talvez seja exatamente por isso que espetáculos como esse deveriam estar em todos os espaços possíveis.

Eu já havia tido uma experiência muito rica com o teatro de máscaras na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a UERJ, em um trabalho com o professor Vaccari, artista e professor universitário reconhecido. Mas reencontrar essa linguagem agora, em uma experiência tão aberta ao jogo e ao público, foi uma alegria.

E o espetáculo passa tão rápido que, em determinado momento, comecei a ter medo de que ele acabasse do nada.

O tempo voava.

E quando o tempo voa assim, alguma coisa muito especial aconteceu.

Isso se chama leveza.

Simpatia.

Entrega.

Fui feliz.

E muita gente também.

Porque todos fizeram parte daquela encenação. Não havia uma plateia simplesmente sentada assistindo. Havia uma comunidade inteira brincando junto naquele instante.

O cenário tinha algo de mambembe, de festa, de estrada. Ao lado, uma DJ dava suporte à cena, trazendo música e contribuindo para aquela atmosfera de celebração.

E quanto à batalha?

Não vou dividir isso com o leitor.

Vocês precisam ir lá e provar dessas gargalhadas.

Simplesmente amei!

 

Sinopse

Tudo pode acontecer na Batalha de Improvisação com Máscaras. O público não é apenas espectador: sua presença e sua escolha podem mudar o curso da cena e da própria história que se constrói no palco. O espetáculo acontece com sete atores em cena, um DJ e sete máscaras jogadoras, que formam dois times em disputa.

 

Detalhes do Evento

      O que é: Um espetáculo em que dois grupos de atores mascarados disputam jogos de improvisação e o público decide o vencedor por meio de votos. Local: Sesc Tijuca (Teatro 2) Datas e Horários:

      Sexta-feira (28/08) às 19h

      Sábado (29/08) às 19h

      Domingo (30/08) às 18h

      Entrada: Gratuita (com ingressos distribuídos na bilheteria uma hora antes de cada sessão).

A ficha técnica do espetáculo Batalha de Improvisação com Máscaras, concebido pela Cia dos Bondrés, conta com direção de Fabianna de Mello e Souza e reúne sete atores e um DJ em cena.

Ficha Técnica

      Direção e Concepção: Fabianna de Mello e Souza

      DJ: Jojô Rodrigues

      Atrizes e Atores: Julia Morales, Mackism Oliveira, Léo de Moraes, Felipe Pedrini, Camila Barra, Fabianna de Mello e Souza e Pedro Sarmento 


 Paty Lopes é Dramaturga, crítica teatral
e idealizadora de espetáculos para a infância.

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