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Geni Núñez leva à Casa Museu Eva Klabin palestra inspirada no pensamento de Ailton Krenak

 Por Chris Herrmann 💬


Com Geni Núñez e Víctor Breton, a programação gratuita propõe novos diálogos com “Nossa América”, exposição em cartaz na Casa Museu Eva Klabin.



Programação gratuita da exposição “Nossa América” terá encontros com a pensadora indígena e o antropólogo Víctor Breton, além de atividades especiais em celebração aos 31 anos da Casa Museu


A Casa Museu Eva Klabin realiza, em agosto, uma programação gratuita ligada à exposição “Nossa América”, em cartaz até 6 de setembro, que também integra as celebrações pelos 31 anos da instituição. Na quinta-feira (06), às 19h, o professor Víctor Bretón apresenta “De qué nos hablan las huacas?”, sobre os legados materiais e simbólicos das civilizações andinas. Os ingressos para a palestra podem ser retirados pelo site. Já no dia 15 (sábado), às 16h, a escritora, ativista e pensadora indígena Geni Núñez, autora de “Descolonizando afetos: experimentações sobre outras formas de amar”, conduz a palestra “Reflorestamento do imaginário”, em diálogo com a ideia de “monoculturas do pensamento”, elaborada por Ailton Krenak. Para a atividade com Geni, os ingressos serão distribuídos uma hora antes do início do evento, pela equipe da Casa Museu.

2021 Filipe Berndt

As palestras ampliam alguns dos temas centrais de “Nossa América”, exposição com curadoria de Camilla Rocha Campos e Claudia Jaguaribe. A mostra parte do acervo de arte andina da Casa Museu Eva Klabin para propor um olhar sobre produções visuais latino-americanas que atravessam objetos, vegetações, animais, espíritos e paisagens do continente ao longo de séculos. Em vez de tratar imagens, cerâmicas, grafismos e símbolos como vestígios de um passado distante, a exposição os apresenta como presenças ativas, capazes de construir leituras sobre história, território e relações entre humanos, natureza e espiritualidade.


No dia 6 de agosto, às 19h, o público confere a palestra “De qué nos hablan las huacas?”. O professor Víctor Breton aborda as huacas, monumentos ou sítios considerados sagrados por povos que habitaram a região da América do Sul antes da dominação colonial. A partir das civilizações andinas, Breton propõe uma reflexão sobre formas de organização, agronomia, arquitetura, ritos e símbolos desses povos, pensando as huacas como legado material que ajuda a compreender o período histórico e o contexto em que foram criadas.



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A palestra também propõe uma análise sobre as relações possíveis entre os processos de apropriação e reinterpretação desses símbolos culturais e as identidades indígenas ou nativas contemporâneas. Professor de Antropologia Social da Universidade de Lleida, na Catalunha, Espanha, e professor emérito honorário da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, no Equador, Víctor Breton tem trajetória dedicada a estudos sobre teorias do desenvolvimento, economias camponesas e movimentos étnicos na América Latina. Após a palestra, será realizada uma visita mediada pela exposição com o grupo de participantes.


Já no dia 15 de agosto, às 16h, a Casa recebe Geni Núñez para a palestra “Reflorestamento do imaginário”. Ativista indígena Guarani, escritora, psicóloga e influente pensadora das relações, Geni parte da ideia de “monoculturas do pensamento”, elaborada por Ailton Krenak e trabalhada pela autora em sua tese de doutorado. Dessa forma, propõe uma reflexão que aproxima a monocultura da terra, a monogamia nas relações afetivas e sexuais e o monoteísmo, pensando a floresta como imagem de abundância, diversidade e outras formas possíveis de existência.



Uýra, A mata te se come, série Elementar, 2018.
Foto: Flavio Freire

Baseada no ensaio Diante dos negacionismos, publicado pela autora em 2021 na revista ‘ClimaCom’, a discussão aborda os binarismos e a monocultura, compreendida como lógica antagônica à floresta. Mestre em Psicologia Social, doutora pelo Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC e pós-doutora pelo Instituto de Estudos Avançados da USP, Geni é autora dos livros “Descolonizando afetos: experimentações sobre outras formas de amar” e “Felizes por enquanto”.


A programação de agosto também marca as celebrações pelos 31 anos da Casa Museu Eva Klabin. No dia 22, a partir das 14h, o público poderá participar de uma tarde de atividades gratuitas, com distribuição de pipoca na entrada da Casa, oficina de origami, oficina experimental de grafismos inspirada nas tradições ancestrais dos povos originários do Brasil e fala da curadoria no auditório. A programação se encerra com um coquetel às 19h.


Orientada pela noção de temporalidade ch’ixi, formulada pela socióloga boliviana Silvia Rivera Cusicanqui, a exposição “Nossa América” propõe uma experiência em que o ancestral e o contemporâneo não se sucedem, mas coexistem em tensão. As palestras dão continuidade a essa investigação, aproximando pensamento indígena, memória material, território e criação contemporânea em encontros que expandem as leituras possíveis da mostra.



Na polifonia dos corpos o infinito se demora II_Laiza Ferreira 2026


Serviço


Palestra “De qué nos hablan las huacas?”, com Víctor Breton

Data: 6 de agosto, quinta-feira

Horário: 19h

Local: Casa Museu Eva Klabin - Av. Epitácio Pessoa, 2.480, Lagoa, Rio de Janeiro

Entrada: gratuita, com retirada pelo site


Palestra “Reflorestamento do imaginário”, com Geni Núñez

Data: 15 de agosto, sábado

Horário: 16h

Local: Casa Museu Eva Klabin - Av. Epitácio Pessoa, 2.480, Lagoa, Rio de Janeiro

Entrada: gratuita, com distribuição de ingressos uma hora antes do início do evento pela equipe da Casa Museu Eva Klabin


Celebração dos 31 anos da Casa Museu Eva Klabin

Data: 22 de agosto, sábado

Local: Casa Museu Eva Klabin - Av. Epitácio Pessoa, 2.480, Lagoa, Rio de Janeiro

Entrada: gratuita

Programação:

14h às 17h: Pipoca na entrada da Casa

14h30: Oficina de origami

15h30: Oficina experimental de grafismos

17h: Fala da curadoria, no auditório

19h: Coquetel


Sobre a Casa Museu Eva Klabin:

Uma das primeiras residências da Lagoa Rodrigo de Freitas, a Casa Museu Eva Klabin reúne mais de duas mil obras que cobrem um arco de tempo de cinco mil anos, desde o Antigo Egito (3000 a.C.) ao impressionismo, passando pelas mais diferentes civilizações. A coleção abrange pinturas, esculturas, mobiliário e objetos de arte decorativa e está em exposição permanente e aberta ao público na residência em que a colecionadora viveu por mais de 30 anos. A Casa oferece programação cultural variada, que inclui, além das visitas ao acervo, exposições temporárias de artistas contemporâneos, oficinas, cursos e conferências para adultos e crianças. Enquanto referência no calendário cultural do Rio de Janeiro, a programação musical conta com a série Concertos de Eva, com os Concertinhos de Eva, dedicados ao público infantil, e com o programa Pôr do Sol, shows da nova MPB no jardim. A Casa Museu se mantém no ano de 2026 como espaço de troca de ideias e aprendizados no presente, mantendo um diálogo constante com o passado e encontrando sua originalidade na combinação entre o clássico e o contemporâneo.





CHRIS HERRMANN
Editora-chefe e Colunista
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