ChrisTal de Poesia: BELEZAS INEXPLORADAS
Por Chris Herrmann 💬
IArte: Chris Herrmann
BELEZAS INEXPLORADAS
"O que permanece inexplorado
nem sempre é desconhecido:
às vezes, é apenas uma beleza
que ainda não encontrou
olhos dispostos a descobri-la."
Chris Herrmann
ALTITUDES
certas pessoas
parecem montanhas vistas de longe:
imóveis, imponentes,
quase impossíveis de alcançar.
parecem montanhas vistas de longe:
imóveis, imponentes,
quase impossíveis de alcançar.
ninguém imagina
quantos vales escondem,
quantas nascentes silenciosas
desaprendem a ser pedra
debaixo da pele.
quantos vales escondem,
quantas nascentes silenciosas
desaprendem a ser pedra
debaixo da pele.
talvez conhecer alguém
seja trocar o mapa pelo caminho
e descobrir, passo a passo,
que toda altitude
guarda um abismo
pedindo para ser chamado de horizonte.
seja trocar o mapa pelo caminho
e descobrir, passo a passo,
que toda altitude
guarda um abismo
pedindo para ser chamado de horizonte.
OCEANOS PARTICULARES
cada pessoa carrega
um oceano que ninguém vê.
um oceano que ninguém vê.
na superfície,
algumas águas parecem calmas,
outras levantam tempestades
para esconder o fundo.
algumas águas parecem calmas,
outras levantam tempestades
para esconder o fundo.
mas existem profundezas
que nunca foram mergulhadas,
corais de silêncio,
ilhas sem nome,
continentes inteiros
à espera de um olhar
que não tenha pressa.
que nunca foram mergulhadas,
corais de silêncio,
ilhas sem nome,
continentes inteiros
à espera de um olhar
que não tenha pressa.
porque a maior beleza humana
talvez não esteja
naquilo que todos conseguem ver,
mas no território secreto
que alguém ainda encontra coragem
para explorar.
talvez não esteja
naquilo que todos conseguem ver,
mas no território secreto
que alguém ainda encontra coragem
para explorar.
PRETEXTO
ver beleza na lua
no marulho das águas
no pedregulho da rua
na dor mais honesta
na fresta d´algum amor
no marulho das águas
no pedregulho da rua
na dor mais honesta
na fresta d´algum amor
é atestado de loucura
é orgulho de protesto
é pretexto do poeta
louco e solto noite e dia
de cara cheia de poesia
é orgulho de protesto
é pretexto do poeta
louco e solto noite e dia
de cara cheia de poesia
Para fechar a coluna, trago a lembrança de um poema que escrevi há exatos 20 anos (2006), cuja tradução para o espanhol foi agraciada para publicação em uma coletânea da Espanha (Trad. Laura Venslavicius: El Mar y La Montaña). O poema também foi traduzido para o inglês e o alemão.
O Mar e a Montanha
Eu sou o mar.
Por vezes sou rio
e deságuo no mundo,
percorro alegrias e mágoas.
Plural e natural que sou,
mato a sede do momento.
Ouço lamentos, alimento vidas,
Sou barulho e movimento.
E quem és tu, oh rocha fria
que te escondes sem pressa
e vives presa em teu silêncio?
Por vezes sou rio
e deságuo no mundo,
percorro alegrias e mágoas.
Plural e natural que sou,
mato a sede do momento.
Ouço lamentos, alimento vidas,
Sou barulho e movimento.
E quem és tu, oh rocha fria
que te escondes sem pressa
e vives presa em teu silêncio?
Eu sou a montanha.
Por vezes dura ou mansa,
sou as marcas do tempo.
Massa densa que acoberta,
enriquece e dá o alento.
Sou abrigo para ti e para o vento
(vós que me visitais diariamente)
transformando-me por dentro.
Interior é meu movimento;
alma cristalizada de seres,
sementes, fúrias e medos.
E se me calo, caro mar,
é porque guardo em mim
- incluindo os teus - os mais
'cicatresloucados' segredos.
Por vezes dura ou mansa,
sou as marcas do tempo.
Massa densa que acoberta,
enriquece e dá o alento.
Sou abrigo para ti e para o vento
(vós que me visitais diariamente)
transformando-me por dentro.
Interior é meu movimento;
alma cristalizada de seres,
sementes, fúrias e medos.
E se me calo, caro mar,
é porque guardo em mim
- incluindo os teus - os mais
'cicatresloucados' segredos.
El Mar y La Montaña
Yo soy el mar.
A veces soy río
y desaguo en el mundo,
recorro alegrías y tristezas.
Plural y natural que soy,
sacio la sed del momento.
Oigo lamentos, alimento vidas,
Soy barullo y movimiento.
Y quién eres tú, oh roca fría
que te escondes sin prisa
y vives presa en tu silencio?
A veces soy río
y desaguo en el mundo,
recorro alegrías y tristezas.
Plural y natural que soy,
sacio la sed del momento.
Oigo lamentos, alimento vidas,
Soy barullo y movimiento.
Y quién eres tú, oh roca fría
que te escondes sin prisa
y vives presa en tu silencio?
Yo soy la montaña.
A veces dura o mansa,
soy las marcas del tiempo.
Masa densa que resguarda,
enriquece y da el aliento.
Soy abrigo para ti y para el viento
(vosotros que me visitais a diario)
transformándome por dentro.
Es interior mi movimiento;
alma cristalizada de seres,
semillas, furias y miedos.
Y si me callo, caro mar,
es porque guardo en mí
- incluyendo los tuyos - los más
'cicatrialocados' secretos.
A veces dura o mansa,
soy las marcas del tiempo.
Masa densa que resguarda,
enriquece y da el aliento.
Soy abrigo para ti y para el viento
(vosotros que me visitais a diario)
transformándome por dentro.
Es interior mi movimiento;
alma cristalizada de seres,
semillas, furias y miedos.
Y si me callo, caro mar,
es porque guardo en mí
- incluyendo los tuyos - los más
'cicatrialocados' secretos.
IArte e edição do clipe: Chris Herrmann
Música de fundo: "Solo de ChrisTal" de Chris Herrmann (criada com Suno)
Coluna de Chris Herrmann
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CHRIS HERRMANN
Editora-chefe e Colunista
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