ChrisTal de Poesia: À Thereza Rocque da Motta

Por Chris Herrmann | 6/4/2026 💬

Thereza Christina Rocque da Motta e Chris Herrmann
| Crédito: Chris Herrmann

À Thereza Rocque da Motta

“A saudade é um truque da eternidade”
Chris Herrmann

A coluna de hoje é totalmente dedicada à amiga e colega escritora, colunista, editora e tradutora THEREZA CHRISTINA ROCQUE DA MOTTA e às saudades que ela já nos deixou. A poesia tem a capacidade de externar melhor o que sinto nesse momento de uma despedida não programada, para o qual nenhum de nós está preparado.

INVENTÁRIO DO INVISÍVEL

dos nomes que não cabem na lápide
o seu transborda da pedra
como raiz que flerta com a eternidade
Thereza, você não foi embora
: apenas mudou de endereço
para dentro da palavra
mesmo triste, escrevo estes versos
carregados de lembranças,
reconhecendo neles
um gesto de serenidade
como se a saudade cooperasse
e tivesse aprendido
a assinar por nós duas

 

TRADUÇÃO DA AUSÊNCIA

você, que traduzia mundos
agora é idioma que não decifro
mas sinto

presenças que não precisam de corpo
só de memória em estado de escuta

sua ausência não é vazia
é densa
como livro fechado que pulsa
seria miragem?
abro o dia e ele ainda anuncia
sua margem
ali
entre uma ideia e outra
você respira
e me ensina
que partir
também pode ser
uma forma de permanecer

 

A COSTURA DO TEMPO

o tempo não rasga
: ele costura
com linha invisível

e você virou ponto de luz
no tecido das horas

não vejo mais seus passos
mas reconheço o caminho

delicadezas que não acabam
só se espalham
como perfume de saudades
em carta guardada
você ficou
no intervalo das coisas ditas
no gesto mínimo
no íntimo das palavras

e agora entendo
com uma calma que ainda dói

a eternidade não começa depois
: sem perceber, ela começa
quando alguém
se torna impossível
de esquecer

 

DESPEDIDA

algumas despedidas não terminam
: ficam suspensas no tempo
porque são luzes que insistem
mesmo depois do sol

Thereza agora
é essa presença leve
que ocupa o canto bonito da alma
e nela permanece

a saudade escreve sozinha
em silêncio
onde um anjo dança
no Jardim de Jacintos

porque você continua
inteira
no lugar onde o fim
não alcança

 

SAUDADE

um silêncio
sem vírgulas

um texto
sem palavras

um corte
sem pontos
uma ilha
ponte ilhada

 

Galeria de Lembranças:

(clique na foto para ampliá-la)

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* publicado originalmente no Portal ArteCult.com em Abril/2026, por Chris Herrmann


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