Rock Clássico Riffinado: SANTANA – A CHAMA LATINA DA GUITARRA

 Por Chris Herrmann | 20/12/2025 💬


“O Mito Santana” – Arte Digital: Chris Herrmann

Quando a música vem antes das palavras

Antes de ser um guitarrista, Carlos Santana foi um menino cercado por música. Nascido em 20 de julho de 1947, em Autlán de Navarro, no estado de Jalisco, México, ele cresceu ouvindo o violino do pai, José Santana, músico de mariachi. Foi com o violino que Carlos aprendeu, ainda criança, o valor da nota longa, sustentada, quase vocal. Algo que mais tarde se tornaria sua marca registrada na guitarra elétrica.

A família se mudou para Tijuana no início dos anos 1950, e foi ali que Santana teve seu primeiro contato com o blues norte-americano, ouvindo artistas como B.B. King, John Lee Hooker e T-Bone Walker nas rádios que atravessavam a fronteira. Quando finalmente troca o violino pela guitarra, Carlos não abandona o arco invisível: ele passa a “puxar” o som, deixando as notas respirarem.

São Francisco: psicodelia, percussão e identidade

No início dos anos 1960, já vivendo em São Francisco, Santana mergulha na efervescente cena psicodélica da cidade. Ali, ele absorve jazz, rock ácido, blues elétrico e, sobretudo, percussões afro-latinas, que passam a ser o coração rítmico do seu som.

Nasce então a Santana Blues Band, que logo se tornaria apenas Santana, uma banda onde congas, timbales e bongôs não eram adorno, mas protagonistas. Era algo completamente novo no rock.


Woodstock (1969): a apresentação que mudou tudo

A apresentação de Santana no Festival de Woodstock, em agosto de 1969, é um dos momentos fundadores da história do rock. Até então pouco conhecida fora da Califórnia, a banda sobe ao palco e entrega uma performance incendiária de “Soul Sacrifice”, com solos extensos e percussão hipnótica.

Aquele show transformou Santana em um nome mundial.


Discografia

Santana (1969)
O álbum de estreia traz o primeiro grande sucesso: “Evil Ways”. Um disco cru, energético, com forte influência do blues elétrico.

Abraxas (1970)

Considerado por muitos sua obra-prima inicial, contém:

  • “Black Magic Woman”
  • “Oye Como Va”
  • “Samba Pa Ti”
Aqui, Santana define definitivamente sua linguagem musical.



Santana III (1971)
Mais agressivo e instrumental, com destaque para “Everybody’s Everything” e “No One to Depend On”.
Caravanserai (1972)
Uma virada estética: menos hits, mais jazz fusion e espiritualidade. Um disco contemplativo, muito admirado por músicos.
Welcome (1973) e Borboletta (1974)
Período de experimentação profunda, diálogo com jazz e música espiritual.
Supernatural (1999)

O grande renascimento. O álbum une Santana a artistas contemporâneos:

  • “Smooth” (com Rob Thomas)
  • “Maria Maria”
  • “Corazón Espinado” (com Maná)

Ganhou 8 Grammys em uma única noite, incluindo Álbum do Ano.


Prêmios e reconhecimentos

  • 10 prêmios Grammy
  • 3 Latin Grammy Awards
  • Rock and Roll Hall of Fame (1998)
  • Kennedy Center Honors (2013)
  • Supernatural incluído no Grammy Hall of Fame (2025)

Um guitarrista que criou caminhos

Santana não apenas influenciou guitarristas, como também abriu portas estéticas. Sua fusão inspirou:

  • bandas de latin rock e world music
  • guitarristas de fusion e blues contemporâneo
  • artistas pop interessados em misturar tradição e modernidade

Seu impacto pode ser sentido em músicos latino-americanos, na cena californiana, no jazz-rock e até em colaborações intergeracionais.


Santana em palavras: frases que revelam sua visão

“Eu não toco notas. Eu toco sentimentos.”

“A guitarra é só um instrumento. A música vem da alma.”

“Quando você toca com amor, o público sente, mesmo sem entender o idioma.”

Curiosidades que dizem muito

  • Começou no violino, não na guitarra
  • Medita diariamente há décadas
  • Criou a Milagro Foundation, voltada à educação e saúde infantil
  • Diz que seu maior objetivo é “tocar música que cure”

Agenda de shows – 2026

Oneness Tour 2026

  • Janeiro 2026 – Residência em Las Vegas (House of Blues / Mandalay Bay)
  • Março–Abril 2026 – Turnê pela América do Norte
    • San Antonio
    • New Orleans
    • Durham
    • St. Augustine
    • Hollywood (FL)

 Por que Santana continua essencial

Carlos Santana é mais do que um guitarrista lendário. Ele é um tradutor cultural, alguém que transformou herança latina, blues norte-americano, jazz espiritual e rock elétrico em uma linguagem única. Sua guitarra não grita — ela canta. E continua cantando, década após década, como uma chama que não se apaga.

Las Vegas, NV – Nov/2020 
| Photo by Ethan Miller/Getty Images

Fontes:

  • Santana.com (site oficial)
  • Britannica
  • Rolling Stone (US)
  • GRAMMY / Recording Academy
  • The Guardian
  • AP News
  • MusicRadar
  • YouTube

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* publicado originalmente no Portal ArteCult.com em Dezembro/2025, por Chris Herrmann



Coluna de Chris Herrmann

CHRIS HERRMANN
Editora-chefe e Colunista

   

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